1 de janeiro de 2018

O Corvo que Quis Imitar a Águia


Dentre os clássicos contos antigos, existe um que nos faz refletir sobre a realidade diante das condições que nos são dadas. A soberana águia que subia levando um carneiro aos ares, preso em suas garras, causava desconforto ao corvo que queria imitá-la. O animal que assistia todo o espetáculo, tão voraz quanto a grande ave, embora com capacidade reduzida, fora assaltado pelo desejo que fazer o mesmo.
Pôs-se a revoar sobre o rebanho que pastava, procurando o carneiro mais gordo para pô-lo em sacrifício, já que era considerado o verdadeiro acepipe dos deuses. Animado com seu projeto, conjeturava: 
"Não sei quem o criou, porém sei que está mesmo em tempo de ser transformado em alimento, e logo eu o terei em minhas garras."
E com esses pensamentos, precipitou-se em um vertiginoso mergulho sobre o indefeso animal. Agarrou-o firme, mas — ó, surpresa! — a coragem do corvo era bem mais de vulto que sua força. Pensava o animal que um queijo não pesava tanto quanto a desejada carga, e nas lãs da vítima, tão longas e crespas como a barba de um gigante, enroscou suas garras de maneira que quanto mais o pobrezinho se debatesse, mais preso ficava. 


Para completar suas desditas, aparece o pastor em meio ao rebanho atraído pelo burburinho dos outros animais, prendendo o corvo numa pequena gaiola. Daquele dia em diante, dizem os fabulistas que o invejoso animal serviu apenas de diversão para os filhos de seu carcereiro. 
Sobre este acontecimento, podemos notar que aqueles que querem se arriscar em uma façanha, deve antes verificar se suas forças serão suficientes. Um rato, por exemplo, não pode aspirar pôr-se na pele de um valente tigre. Inúmeras são as vezes em que somos tentados a imitar o próximo, e isto nos faz compreender que não basta dar importância para ser um grande senhor, afinal de contas, por onde passa ilesa a vespa, o mosquito vira prisioneiro.

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