6 de janeiro de 2018

Ninguém Nasce Herói, de Eric Novello


A obra escrita por Eric Novello já chama atenção por seu título um tanto quanto reflexivo, dando margem às elucubrações da capacitação de indivíduos desprovidos de oportunidades. Sim, afinal, ao se analisar a afirmativa, podemos perceber que ninguém nasce predisposto ou capaz de realizar os seus objetivos, fazendo disso algo inerente às experiências vividas com o passar do tempo. Todavia, não se deve confundir a maestria do título em relação ao conteúdo da obra, com a sentença de que todos nascem iguais, pois isso não é verdade. E o autor, em meio a sua narrativa, se aprofundará nesse juízo, proporcionando aos leitores uma experiência fantástica com sua crítica social e política dentro da literatura ficcional brasileira.


Pode-se dizer que o livro reflete os matizes da falta de liberdade e empatia para com o próximo. Num cenário censurado pelo egocentrismo, o autor transforma sua visão de um país corrompido por seus próprios anseios enfadonhos, em palavras no papel, realçando as consequências do mau-caratismo de órgãos públicos e a não representatividade das minorias, presente em todos os ângulos. Ou seja: trata-se de uma realidade passada num futuro não tão distante, onde houve um retrocesso extremamente preconceituoso e fundamentalista que ecoa seus seguimentos de forma drástica, abusiva e intransigente no que diz respeito à diversidade.


Chuvisco, tido como o protagonista, é um jovem tradutor recém-formado que vive na cidade de São Paulo e vai contra esse despotismo nacional liderado pelo Escolhido — personagem que assume o poder do governo, de cunho fundamentalista, cuja visão tirânica expande-se através de seus apoiadores. Nesse contexto, a narrativa abre espaço para abordar a catarse criativa do personagem principal, o que dá uma certa descontração à seriedade do enredo, já que leva Chuvisco a imaginar-se como herói em meio aos problemas ao seu redor. Isso faz com que seu grupo de amigos se desenvolva, também, à medida em que a leitura avança.


Essa amizade, regada pelo afeto recíproco, assemelha-se a qualquer outra, fazendo com que cada leitor se sinta acolhido na trama, como um integrante do espaço descrito. Chuvisco e seus amigos, indo contra o governo do Escolhido, mostram a força que cada indivíduo tem quando se clama por justiça. A realidade presente nesses mesmos capítulos, não é tão distante a ponto de ser improvável. Por isso, acredito que uma das mensagens mais importantes que Novello nos passa, é o fato de que mesmo um indivíduo não fazendo parte de uma minoria discriminada e injustiçada, nada o impede de defender aqueles que são.


A edição da Seguinte é excepcional tanto nos conceitos artísticos quanto em sua diagramação, contribuindo para uma leitura mais concentrada e de melhor aproveitamento do conteúdo. Ninguém Nasce Herói é um livro de profunda introspecção de valores, mesmo tendo uma linguagem simples e atual para os jovens. Em síntese, posso afirmar que a obra possui um emaranhado de emoções e compreensão das causas alheias, permitindo-nos trocar a lente da realidade a fim de podermos enxergar as insuficiências dos seres humanos. 

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Título: Ninguém Nasce Herói | Autor: Eric Novello
Editora: Seguinte | Publicação: 2017
Páginas: 384
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Sobre: Eric Novello adora escrever sobre os bares, boates e inferninhos que permanecem vivos em sua memória. Em sua fase solar, cuida de um gato imaginário e da coleção de vinis de blues que ainda não começou. É roteirista, aficionado por cinema, principalmente o noir. Adoraria ter o que fazer nas horas vagas, mas antes precisa descobrir como consegui-las.

4 comentários:

  1. Amei o exemplar!!! Você escreve muito bem, também.
    Parabéns!!!

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    1. Obrigado, Evaristo! Fico feliz que tenha gostado.

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  2. Que texto bem elaborado e cheio de detalhes, rico em palavras e conteúdo. Gostei da forma como explica e fala do livro, já esta na minha lista de desejados.

    BLOG - TUDO ATRASADO


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    1. Obrigado, Douglas! Fico feliz que tenha gostado.
      Grande abraço.

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