Sussurros do País das Maravilhas, de A. G. Howard


A fantasia, de fato, é um universo paralelo criado por mentes brilhantes cujo ofício concentra-se em fazer dos leitores, verdadeiros viajantes desse emaranhado de ideias insanas. Não é segredo o meu apreço pela ficção que transborda suas possibilidades para além daquilo que é cabível no mundo real, permitindo experiências singulares e devaneios que só os desbravadores dessas páginas conhecem. E digo isso pois compartilho da mesma ideia da autora  A. G. Howard que, logo na sua apresentação, afirma querer inspirar mais leitores a se interessarem pelas histórias que ela aprendeu a amar na infância. Assim, Sussurros do País das Maravilhas nada mais é do que um intrigante e psicodélico tributo a Lewis Carroll, um dos pioneiros a dar asas a sua imaginação, levando-a ao espantoso, porém estonteante, País das Maravilhas. 


Infelizmente não tive a oportunidade de ler os dois primeiros volumes dessa série e, talvez, por conta disso, não tenha captado alguns pontos necessários para a compreensão da trama. Todavia, mesmo sendo uma derivação do trabalho já produzido, consegui apanhar a sua essência em meio à narrativa e perceber as particularidades que a autora apresenta no desempenho da escrita. A mesma afirma que sua inspiração veio do retorno dos fãs, e, por esse motivo, levou-os novamente à toca do coelho reimaginando tanto o fim quanto o início de tudo. Ou seja: são três contos que não seguem uma linha temporal, mas sentimental entorno da protagonista, Alyssa. 


Fazendo um resumo dessas três narrativas, temos a primeira, de nome O Menino da Teia, que é uma introdução para sabermos como tudo começou. O conto gira em torno de Alison e Thomas, pais de Alyssa, e de como foram parar no País das Maravilhas. Já o segundo, por sua vez, intitulado de A Mariposa no Espelho, temos Morfeu no centro das questões, tentando entender as pretensões e sentimentos do personagem Jeb com a protagonista. Acredito se tratar de uma explicação para os acontecimentos do primeiro exemplar — que eu não li —, assim como um esclarecimento para com as atitudes do personagem em O Lado Mais Sombrio. Por fim, temos a terceira parte, Seis Coisas Impossíveis, que foi como um desfecho para todo o ocorrido. Mesmo eu não conhecendo a fundo todo o esquema, pude notar a resolução de questões levadas a púlpito por leitores antes de lerem a obra. Nesse ponto nos é dada a chance de saber o que houve após Alyssa optar por levar sua vida no mundo real, ao lado de Jeb, com quem se casara. 


Mas engana-se quem pensa no fim da narrativa dessa forma. Aos 80 anos, Alyssia se vê prestes a deixar o mundo real e sua vida de humana, abraçando novamente o caminho ao País das Maravilhas. Consigo leva apenas três lembranças, que servirão para a então senhora refletir sobre seus passos experientes no itinerário da vida, momentos antes de adentrar à toca do coelho. Desse modo, a protagonista volta a ser jovem e assume o trono ao lado de Morfeu, que a esperara por todos esse tempo. 


Eu não sabia que o livro era dedicado aos que já tinham conhecimento da série, mas, apesar desse descuido, tive uma boa experiência e não desperdicei as horas empregadas à trama. A arte da capa em relação ao conteúdo da obra é excepcional, além de seus conceitos diagramáticos garantirem uma leitura bastante confortável. Me colocando no lugar de leitor de fantasia, me senti instigado a conhecer os demais títulos da autora, cuja escrita reflete toda sua paixão pelo que faz. Em síntese, posso dizer que teria a mesma sensação caso visitasse um museu de arte abstrata: às vezes, iria me faltar a compreensão, mas o sentimento e o reconhecimento da expressividade estariam presentes, sem sombra de dúvidas. 

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Título: Sussurros do País das Maravilhas
Autora: A. G. Howard
Editora: Novo Conceito
Páginas: 272 | Publicação: 2017
Sobre: A autora escreveu seu primeiro livro, O Lado Mais Sombrio, enquanto trabalhava em uma biblioteca escolar e espera que seu intrigante e psicodélico tributo a Lewis Carroll inspire os leitores a se interessarem pelas histórias que ela aprendeu a amar na infância. A. G. Howard vive em Amarillo, no Texas.

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Sobre Pena Pensante

Filipe Penasso: Editor e resenhista do Pena Pensante, graduado em relações internacionais e autor do livro de poesias Entre Asas e Raízes.
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3 comentários:

  1. Nossa, fiquei super interessa em conhecer essa série. Como sempre, você arrasando nas resenhas. Obrigado!!!! :D

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  2. Fiquei encantada com o exemplar, e com a série também!!! Obrigada por compartilhar conosco.
    Beijos!!!! :*

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