Filha da Profecia, de Juliet Marillier


Mais uma vez, tive a oportunidade de ler um exemplar que mescla ficção com realidade, proporcionando uma rica experiência dos sentidos e emoções àqueles que viram suas páginas. De um lado, temos a historicidade da obra, fruto de um estudo aprofundado da autora Juliet Marillier, enquanto do outro, a magia que reflete todo o misticismo de tempos antigos, regados pelo mistério que circunda um fantástico universo de segredos e aventuras. Filha da Profecia é o terceiro volume da trilogia Sevenwaters, cujo enredo me atraiu desde o início. Algo como um convite para viajar sobre as linhas do tempo imaginário, observando um horizonte há muito esquecido e experienciando peripécias dos personagens marcantes junto ao seu amadurecimento com o passar dos anos.


Trata-se de uma verdadeira história que nos conecta com a criatividade, germinando instintos artísticos no intimo de cada um, para que possamos perceber o toque emocional em meio ao turbilhão de acontecimentos da narrativa. Não é apenas um livro para ser lido, mas para ser apreciado e sentido, já que não é tão fácil de encontrar um cabedal tão detalhado no que diz respeito à arte da escrita em suas nuances históricas e mitológicas.


A cultura céltica realmente é um fonte inesgotável para se criar a partir da combinação de ideias, e Marillier continua com esse mesmo encalço no terceiro volume, seguindo a árvore genealógica dos primeiros livros para a construção de seus personagens. É válido ressaltar que mesmo se tratando de uma trilogia, não é obrigatória a leitura dos dois primeiros livros para se ter a compreensão do último, uma vez que são histórias distintas ligadas pelos laços de sangue e, é claro, pela região de Sevenwaters.
Aqui, quem desempenha do papel de protagonista é Fainne, filha de Ciarán e Niamh — que por sua vez era filha de Sorcha —, mantendo as origens da trama. A menina criada pelo pai, longe das fronteiras de Sevenwaters, se desenvolve numa realidade taciturna e solitária ainda que instruída por Ciarán a colocar seus dons em prática. Tudo isso muda quando sua avó paterna, Lady Oonagh — a mesma do primeiro livro —, aparece na vida da adolescente, obrigando-a a realizar uma terrível missão.


Fainne, então, se sente forçada pela feiticeira que a usa visando atingir seus próprios objetivos. A jovem se infiltra na própria família, da qual vivera afastada por toda a vida, nas terras de Sevenwaters, a fim de recolher informações importantes e passar para Lady Oonagh. O objetivo disso é impedir que seu tio Sean reconquiste as Ilhas Sagradas, invadidas há muito tempo pelos escandinavos. Engendrada no viés esse feito, existe ainda uma profecia que as assombra, afirmando que ninguém terá paz enquanto as mesmas não forem devolvidas.


Nesse contexto, a narrativa se desenvolve com o desejo maléfico de Lady Oonagh em privar a paz, manipulando sua neta para fazer o mal. Fainne, contudo, semeia bondade dentro de si e em meio a tudo isso, sua vivência se torna um presente para os leitores, com acontecimentos emocionantes e memoráveis tirados da brilhante imaginação da autora. Por isso o recomendo, sem exitar nenhum pouco, àqueles que gostam de aventura e magia semeadas pelo afeto de personagens marcantes que parecem sair do papel.
É uma história longa que nos permite mergulhar profundamente nesse universo. A edição primorosa publicada pela Editora Butterfly contribui significativamente para essa experiência fantástica, seja por seus critérios artísticos ou diagramáticos. Posso afirmar que ter a oportunidade de conhecer o domínio de Sevenwaters nessa trilogia resplandecente é como testemunhar dois extremos se unindo, proporcionando o seguimento paralelo da realidade e da fantasia, perpetuando-se na memória de seus fortunados leitores.

Clique aqui para adquirir o exemplar.
Título: Filha da Profecia
Autora: Juliet Marillier
Editora: Butterfly | Publicação: 2014
Páginas: 640 | Esse livro no Skoob
Sobre: A história de Fainne, criada pelo pai, Ciarán, em uma terra distante. Ao se tornar adolescente, ela é visitada pela avó, a malévola feiticeira Lady Oonagh, que a obriga a embarcar em uma terrível missão: infiltrar-se na família, em Sevenwaters, e impedir que seu tio Sean e seus aliados reconquistem as Ilhas sagradas – invadidas há gerações pelos escandinavos.
Compartilhe no Google Plus

Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 23 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
    Comente pelo Blogger
    Comente pelo Facebook

0 comentários:

Postar um comentário