Silas Marner: O Tecelão de Raveloe, de George Eliot


A intriga já se firma quando descobrimos que George Eliot nada mais é do que um pseudônimo usado pela brilhante autora Mary Ann Evans que fazia desse disfarce masculino uma forma de seu trabalho ser levado a sério no decorrer do século XIX, em plena era vitoriana. E foi esse mesmo pseudônimo que assinou a obra Silas Marner: O Tecelão de Raveloe, terceiro romance da autora, publicado originalmente em 1861, que ganhou destaque por seu realismo, característica exacerbada à época, e também por sua pegada sofisticada e original ao tratar de assuntos variados, passando por industrialização, religião e fatores público-sociais. 


A principio, seria apenas mais um romance ficcional nos padrões ingleses e dentro dos contextos da época, mas a crítica presente na escrita realista de Evans se torna perceptível à medida em que avançamos na leitura. E isso se torna um diferencial para a sua obra, pois ao mesmo tempo em que tinha de enfrentar inúmeras barreiras para ter seus escritos valorizados, também impunha uma inovação aos seus textos pouco antes explorados há mais de cento e cinquenta anos. De fato, a autora desenvolveu o método da análise psicológica muito presente na ficção moderna, e especialmente no livro aqui resenhado, temos a oportunidade de experienciar conflitos internos dos seres humanos, tais como a angustia e o desespero, atados em sua originalidade e moldados pela busca da razão da vida.


Ambientada nos primeiros anos do século XIX, a trama se desenrola após uma acusação de roubo dos fundos de uma pequena congregação calvinista colocar Silas Marner na condição de culpado diante de seu meio de convívio. Entretanto a acusação é feita de maneira injusta e fortes indícios tendem a apontar o melhor amigo do protagonista, William Dane, como o causador dessa injustiça. A sentença se torna a ruína de Silas, a ponto de fazer a mulher com quem casaria, romper os laços com o tecelão e casar-se com Dane. De tal forma, após ter seu coração quebrado e a alma partida pelo veneno corrosivo da iniquidade, o acusado sai de sua cidade em busca de um lugar onde é desconhecido por todos, instalando-se numa vila rural para viver junto aos seus pesamentos.


Lá, em Reveloe, ele coloca o seu ofício de tecelagem em prática e consegue juntar uma boa quantia em dinheiro. Porém, as turbulências na vida de Silas não findam e suas moedas são roubadas por um personagem chamado Dunsey Cass, deixando o protagonista afundado numa penumbra de desesperança. E isso abre espaço para que a narrativa flua da maneira correta, havendo a introdução de novos personagens; novos contextos e muitas surpresas do jeito que Eliot fazia ao transformar suas ideias em palavras.


Depois de um acidente no inverno, conspirações e segredos no seio de uma família, Silas acaba encontrando uma criança a quem tem o dever de cuidar. Ele a dá o nome dele Eppie e a cria como filha. A menina então se torna a chave que abre a porta da vida para Marner novamente, devolvendo a vitalidade e as perspectivas há muito perdidas. Durante esse período, é refletida na obra a importância dos laços fraternais e a empatia para perceber quão quisto pode ser o apoio que damos para auxiliar e ajudar a vida do próximo. É essa premissa que Eliot nos passa por entre os acontecimentos dos parágrafos; e em meio a todos esses episódios, o exemplar se torna pioneiro daquilo que dispõe.
De fato, é um livro que quebrou barreiras na literatura realista do século XIX e que apesar do tempo, continua sendo extremamente atual na questão do comportamento pessoal; além de dar a oportunidade aos leitores que desbravam seus capítulos de viajarem no tempo, direto para a era vitoriana onde a aparência era regra de vida. A obra que ganhou uma nova edição pela editora José Olympio está muio mais acessível, já que a nova publicação garante a primazia tanto em sua diagramação confortável quanto no aspecto artístico da capa. Apesar do tempo, a escrita elitizada não condiz com seu enredo, abrangendo o público alvo e se tornando uma forte ferramenta para introduzir leitores a novos gêneros literários. Assim, sintetizando em poucas palavras aquilo que os amantes de clássicos já sabem: O Tecelão de Revaloe leva seus leitores por um itinerário que permanece firme com a severidade do tempo, garantindo a experiência e o contato com uma era passada, enlaçada por rotineiros comportamentos atuais. 

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Título: Silas Marner: O Tecelão de Raveloe
Autor: George Eliot
Editora: José Olympio
Publicação: 2017
Páginas: 238
Sobre: Publicado originalmente em 1861, Mary Ann Evans, sob o pseudônimo de George Eliot, combate preconceitos, privilégios e desvios de conduta que se revelam até hoje na sociedade.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 23 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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