Nietzsche e a Verdade, de Roberto Machado


Me colocando no papel de resenhista literário, cujo objetivo é mesclar o resumo junto à minha opinião sobre determinada obra, passa por minhas reflexões pré-elaboradas para o discernimento do que colocar no artigo, a concepção de uma crítica construtiva, capaz de revelar aquilo que o exemplar tem de melhor e transformar suas particularidades em palavras dentro da análise. De tal forma, fica clara a importância dos textos de Friedrich Nietzsche para tal ofício, uma vez que descobrimos que o significado da crítica vai além de uma simples elucidação opinativa a respeito de textos publicados, passando por um itinerário que não foge de seu principal contexto: a verdade.


O professor e autor, Roberto Machado, fez uso da filosofia de Nietzsche para escrever sua obra há muito publicada, e que agora ganha uma nova edição pela editora Paz & Terra. E engana-se quem negligencia sua profundidade em decorrência do número de páginas do livro, pois o assunto abordado é extremamente detalhado na escrita de Machado, contudo o mesmo faz uso de aspectos diretos e importantes ao tema, refinando sua escrita para uma melhor absorção do conhecimento entre as linhas de cada parágrafo.


O primeiro aspecto a ser levado em consideração é o parecer a respeito da relação entre crítica e verdade. Ambas são diretamente intrincadas uma a outra, já que a crítica não se baseia na mentira ou no comodismo da ilusão, mas no rigor que só a verdade traz consigo, pesando seu valor atribuído ao conhecimento e sobrepondo-se como fator primordial na criação de qualquer obra; seja pelo caráter sentimental que transborda as ideias do artista em seu trabalho ou pelo caráter lógico e científico que esmiúça os conceitos e funções na natureza para o entendimento de todos, a verdade prevalece.


Nesse ponto, o livro dividi-se em três partes: a primeira diz respeito à arte e a ciência, propondo uma noção nietzschiana de metafísica de artista, enlaçando a arte trágica junto à apologia da aparência e o instinto de conhecimento. Na segunda parte, encontraremos a ciência e a moral analisadas dentro do conhecimento e tipos de vida, genealogia da moral e vontade de potência, sintetizando com a "vontade da verdade". Por fim, na terceira parte é abordado o tema dos valores, mais especificamente a transvalorização, o conhecimento e a perspectiva da potência e as estratégicas da crítica da verdade.
Obviamente, a obra foi idealizada e escrita para um seleto grupo de leitores, e essa conclusão é tida logo após as primeiras páginas. Mas, sobre isso, é preciso ser levado em consideração o seguinte aspecto: Nietzsche e a Verdade é um livro caracterizado como simples e de fácil compreensão para filósofos, estudiosos e especialistas no assunto, entretanto sua leitura é extremamente atribulada aos leigos, por isso existe essa seleção. Mas é claro que essa característica não elimina a qualidade do estudo proposto por Roberto Machado, pois uma vez que a ficha catalográfica do exemplar o classifica como filosofia alemã, há de se convir que se trata de um livro específicos para aqueles interessados ao tema.


No mais, minha experiência com obras filosóficas é sempre muito boa, já que enxergo as mesmas como uma academia metal, que fortalece nosso modo de pensar e abrange nossa imaginação para novas perspectivas da realidade que nos circunda. Com Nietzsche e a Verdade não foi diferente; em síntese posso dizer que mergulhei na labiríntica definição da verdade e sua importância para dentro do conceito de criação. Em outras palavras: um estimulo para a vida e força que prevalece sobre as ilusões contemporâneas. 

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Título: Nietzsche e a Verdade
Autor: Roberto Machado | Editora: Paz & Terra
Páginas: 160 | Publicação: 2017
Sobre: Ligando a racionalidade à oposição verdade/ilusão criada pela metafísica, Roberto Machado mostra como a vontade exacerbada de verdade traduz uma impotência da vontade de criar. Ao expor a crítica da verdade a partir da vontade de potência, o filósofo brasileiro indica como, para ser radical, uma transvaloração dos valores exige o questionamento da vontade de verdade, que atua no conhecimento e é a principal característica da moral.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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