À Primeira Luz da Manhã, de Virginia Baily


Primeiro livro de Virginia Baily que tive a oportunidade de ler, e seguindo a premissa da sentença de que a primeira impressão é sempre a que fica, a autora conquistou um lugar na minha estante. Com a capacidade ímpar de conduzir o leitor pelos cenários construídos na obra, há um profundo mergulho na Itália dos anos de 1940 até 1970, discorrendo a narrativa cativante pelos panoramas históricos e ficcionais — mescla que só grandes autores conseguem fazer com maestria  — e coordenando os ditosos que viajam por entre as páginas do livro em um contexto sentimental entre tempos de guerra junto a passagens afetuosas que trazem o novo para um tema já tão explorado.


De fato, essas características refletem o talento de Baily em reinventar aquilo que já foi esmiuçado por outros autores. Sua difusão de ideias brilhantes proporcionam uma gama de surpresas e acontecimentos sobressaltados capazes de prender não só os ávidos leitores, mas, também, aqueles que não leem com tanta frequência. Isso porque o exemplar possui uma linguagem simples e  mais acessível que foge do elitismo acadêmico.


Trata-se de um tema delicado e de cenários construído por meio de profundas pesquisas cuja trama toma consistência a partir do ocorrido com Daniele Levi, um garoto de sete anos que morava numa região judia de Roma. No ano de 1944, as forças nazistas tomaram a região e começaram a levar seus habitante. A família de Daniele, já dentro do caminhão, em estado de pânico devido ao ocorrido, começa a perceber a gravidade da situação, e, em meio aquela circunstância, a mãe do garoto o entrega a uma espectadora da cena. Seu nome é Chiara Ravello, a protagonista da obra; e o que se segue após esse episódio é, de fato, como o encontro brutal dessas duas vidas de Daniele e Chiara se desenrola.
O romance perdura em certos pontos e garante uma profunda entrega de seus personagens e seus relacionamentos. Não fica preso somente às questões da tirania nazista e suas invasões, mas algo mais compadecido como o desenvolvimento de afetos que se estende entre os dois personagens. Um amor palpável de Chiara e Daniele, que se inicia na noite do resgate.


O livro ainda é dividido em dois períodos, sendo o segundo trinta anos depois do acontecimento central. Chiara se encontra sozinha, vivendo em Roma, sem a sua irmã e afastada de Daniele — fato que, até então, não se sabe o porquê —, tendo que dividir os seus sonhos pela metade e vivendo sua vida, aparentemente normal. Todavia, o catalizador da mudança que ocorre nesse período é o aparecimento de Maria, garota de quinze anos que afirma ser filha de Daniele. Com essa personagem, surge as principais questões a serem desenvolvidas, principalmente no que diz respeito à identidade. Assunto tratado com domínio e maestria, sendo isentos de fatores clichês ou de truísmo entediante.


Em síntese, posso dizer que se trata de um livro repleto de emoções e sentimentos refletidos na sutileza da autora. Uma narrativa construída em cima de consequências de atos praticados que concede a experiência de seus amores e suas dores num tom silencioso, mantendo a elegância de suas frases em meio aos acontecimentos. Para concluir a análise em poucas palavras, a obra surpreende por trazer o novo dentro de um assunto saturado, por transparecer a afeição e o calor de seus personagens, por manter a graciosidade na escrita e, é claro, por ser considerado um romance que enriquece o acervo pessoal e fica na memória por muito tempo.  

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Título: À Primeira Luz da Manhã
Editora: Bertrand Brasil
Autora: Virginia Baily
Publicação: 2017
Páginas: 250
Sobre: Virginia Baily nasceu em Yorkshire, mudando-se para Cardiff aos 7 anos. Formou-se na Universidade de Exeter, para onde retornou mais tarde para obter o Ph.D. em Inglês. Africa Junction, seu primeiro livro, ganhou o prêmio Mckitterick da Society of Authors em 2012.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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