Maria e o Caso das Gravuras Desaparecidas, de P. J. Brackston


Difícil é encontrar alguém que nunca tenha ouvido falar nos famosos contos dos Irmãos Grimm, cuja premissa fantasiosa proporciona uma imersão completa no mundo da imaginação que só a literatura fantástica é capaz de conceder. Ambos acadêmicos alemães que ganharam notoriedade ao escreverem, principalmente, para as crianças. Nesse princípio surgiram os contos, fábulas e poesias que inspiraram e continuam inspirando autores de todo o mundo.
O cenário da Alemanha no século XVIII é bem característico e envolvente, principalmente na região da Baviera, onde acontece a trama. A autora P. J. Brackston, formada em escrita criativa pela Universidade de Lancaster encanta os leitores com sua facilidade em conduzir as palavras. O livro que proporciona o mergulho mencionado no universo fantasioso das fábulas, também garante a reflexão de uma sátira bem escrita em meio à paródia, que resume-se em reverenciar a literatura dos Irmãos Grimm, que tanto contribuíram para este gênero literário.


Brackston afirma que utiliza do som dos abutres e das cotovias da região de montanhas selvagens onde vive, no País dos Gales, como fonte de inspiração para escrever. E essa característica é extremamente harmônica com o conteúdo de seu romance, que apesar de se passar em outra região da Europa, também tem a pegada lúdica na construção de seus cenários.


Seus personagens principais são João e Maria — os mesmos que foram abandonados na floresta pelos pais e acabaram encontrando uma casa de doces da bruxa que quase os matou quando crianças —, mais especificamente a menina, a quem o título faz menção. Anos após esse ocorrido traumático que ainda arrasta os fantasmas de suas lembranças, Maria, com idade de 35 anos, se tornara a detetive particular mais famosa de seu país, permanecendo ao lado de seu irmão, João, que, devido aos traumas mais profundos da experiência que quase o levou ao forno, vive uma constante baldeação entre a taverna e a cozinha.
A trama tem início quando um mensageiro chega à casa da célebre detetive, confiando-a uma importantíssima missão na faustosa cidade de Nuremberg, onde o luxo se fazia presente com seus figurinos memoráveis e hotéis grandiosos. O caso resumia-se em encontrar as gravuras de sapos desaparecidas do herdeiro de Albrecht Dürer, o ilustre pintor das obras. Parecia um caso como um outro qualquer na vida de Maria, se não fosse o fato do tal mensageiro cair morto no chão de sua sala logo após fazer o comunicado.


Esse acontecimento contribuiu para que a detetive aceitasse o caso, pois o mesmo abriu espaço para um soldado ressentido aproveitar-se da situação para acusar Maria. A protagonista, então, vai às pressas para Nuremberg a fim de solucionar o caso, do qual poderia tirar um bom lucro. João, que a princípio não acompanharia a irmã, valeu-se de um festival gastronômico, nomeado Festival do Salsichão Branco, para convencê-la a ir também. Nesse contexto, os irmãos partem para a cidade do crime.


Lá, encontram com Lobinho, amigo de João — também personagem famoso da velha fábula do menino mentiroso e o lobo —, que hospeda os viajantes para que pudessem dar início aos seus respectivos interesses. E é nessa premissa que a narrativa se desenrola para desfecho do mistério. Maria coloca suas habilidades e inteligência em prática para solucionar o caso da melhor forma e manter o título de melhor detetive de toda Baviera.
Trata-se de um emaranhado de surpresas e intrigas, particularidades como duendes faxineiros e outros personagens marcantes que constituem o arcabouço da obra. A edição feita pela Bertrand Brasil segue o mesmo estilo da original (Gretel and the Case of the Missing Frog Prints) no quesito artístico da capa, que é bem condizente com o conteúdo. Sintetizando, a obra de Brackston é um mistério envolvente que usa de personagens famosos como atrativo à trama, garantindo uma viagem inesquecível nesse memoroso oceano fabulista. 

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Nome: Maria e o Caso das Gravuras Desaparecidas
Autora: P. J. Brackston
Editora: Bertrand Brasil
Publicação: 2017 | Páginas: 224
Sobre: Paula Brackston vive nas florestas do País de Gales e é formada em escrita criativa pela Universidade de Lancaster, Inglaterra. Em 2007, foi finalista do prêmio Crème de la Crime para novos autores. Em 2010, seu livro Nutters (escrito sob o pseudônimo de P. J. Davy) foi finalista do Mind Book Award. A filha da feiticeira é sua estreia no Brasil.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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