10 de agosto de 2017

Filho das Sombras, de Juliet Marillier


Mais uma vez mergulhado no oceano de fantasias da cultura céltica que há muito encanta os contadores de histórias por suas particularidades e características. Seja pela magia fortemente relacionada a este povo, ou pelas profecias e crenças politeístas, os celtas tiveram seus primeiros registros catalogados por autores clássicos gregos e romanos, que relatavam várias práticas relacionadas a este povo e seu contato direto com a natureza, destacando o culto que faziam aos elementos das florestas, tais como rios, árvores, pedras, entre outros. É sabido que muitos desses pergaminhos milenares se perderam com a severidade do tempo, mas aquilo que restou foi o suficiente para que o estudo antropológico dessa cultura fosse aprofundado na idade moderna, tornando-se tema acadêmico dentro das universidade e, também, servindo de inspiração para autores apaixonados pela mitologia histórica indo-europeia. 


E foi exatamente dessa fonte que a autora neozelandesa Juliet Marillier se abasteceu para escrever sua trilogia de sucesso, intitulada de Sevenwaters. Mesmo sendo uma alegoria fantasiosa e ficcional no âmbito do estirpe céltico, a base histórica e antropológica, decorrente de um profundo estudo, presente em toda a série é bastante fortificada em conceitos e registros verídicos no que dizem respeito às práticas dessa etnia. O livro Filho das Sombras, aqui analisado, é o segundo volume dessa trilogia lançada no Brasil pela Editora Butterfly, onde ganhou uma edição primorosa nos detalhes artísticos e em sua diagramação, refletindo o capricho dos editores que contribuíram muito para uma leitura mais confortável.


Engana-se quem pensa que pelo fato de ser o segundo volume da saga, a leitura torna-se limitada em compreensão, pois, apesar de ser uma continuação do mesmo universo, a trama engloba personagens de uma nova geração em um novo contexto, permitindo a total compreensão da narrativa. O nome Sevenwaters se dá devido ao lugar imaginado e criado pela autora, "que se passa no crepúsculo celta da velha Irlanda" e corresponde, nos dias de hoje, as proximidades da região de Newry. Lá, não havia limites entre a realidade e a fantasia, "o mito era a lei e a magia uma força da natureza". Contos eram entoados entre seu povo, fazendo surgir os relatos de corajosos heróis; sereias e monstros marinhos; seres das místicas florestas e, é claro, os druidas — homens sábios cuja verdadeira origem permanece escondida na noite da história, que se dedicavam ao estudo naturalístico, filosófico e teológico. 


A personagem principal é Liadan, filha mais nova de Sorcha, que, por sua vez, exerceu o papel de protagonista do primeiro exemplar, Filha da Floresta. A menina recebeu muitas das características que a mãe demonstrava durante o desenrolar de sua história; entre elas podemos citar o dom da cura, as visões recorrentes, o apreço pelas florestas da região e a capacidade de falar com seus espíritos. Além disso, a mesma possui mais dois irmãos: Niamh, a mais velha, e Sean, irmão gêmeo de Liadan, o qual mantém uma ligação extremamente forte.


Em dado momento, em que as fronteiras da região estão sob ataques, a solução encontrada para o fortalecimento do domínio seria um casamento arranjado, onde Niamh era tida como a esposa prometida. Só que a primogênita de Sorcha não se sentiu à vontade com a proposta, tentando achar uma forma de recusá-la. Contudo, seus planos caem por terra e a jovem acaba cedendo. Seu irmão, Sean, enquanto isso, é treinado para se tornar um verdadeiro líder, dom natural inerente a sua personalidade, e aprende a arte da guerra junto à história de seu povo e de seus inimigos. Liadan, que também recebera uma proposta de matrimônio, achou uma solução fundamentada na saúde de sua mãe para recusar. Mas, ao ver a situação complicada da irmã, acaba por acompanhá-la na viagem até o seu novo lar. Claro que não seria um livro de fantasia premiado se não houvesse reviravoltas e surpresas; no meio dessa jornada, a protagonista é sequestrada por um bando de mercenários. Nesse contexto a trama dá continuidade com a principal característica de que um bom livro precisa: a capacidade de despertar as mais variadas emoções em seus leitores. Em meio a profecias, amores proibidos, drama, magia e muita aventura, Filho das Sombras preenche de peripécias as horas daqueles dispostos a se aventurarem por suas páginas.
Os relatos aqui contados, são como um grão de areia comparado ao monte que ilustra o conteúdo do exemplar. Personagens marcantes; enredo fascinante e cenários encantadores dão o sobressalto do curioso título em relação ao conteúdo da obra. Trata-se do tipo de livro que quanto menos se sabe, mais cativante se torna; e por mais que pareça macabro com um título sombrio, a pegada é totalmente diferente quando sabemos diferenciar os gêneros literários. Vencedor Aurealis Award como melhor livro de fantasia, a obra, de fato, merece ser lida e ter um lugar especial na estante. Em síntese: o tipo de fantasia ideal para aflorar a imaginação e viajar além dos rigorosos limites da realidade.

ANEXO: Clique aqui para ler a resenha de Filha da Floresta.

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Nome: Filho das Sombras
Autora: Juliet Marillier
Editora: Butterfly | Edição: 2013
Páginas: 615
Sobre: Juliet Marillier nasceu na cidade de Dunedin na Nova Zelândia. Cresceu neste cidade, estudou na escola Arthur Street Primary e Otago Girls' High School, depois foi para a Universidade de Otago se formando em Bacharelado em Música. Ela cresceu ouvindo história sobre a cultura e musica celta, o que influenciaria nas sua obras.

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