Filho das Sombras, de Juliet Marillier


Mais uma vez mergulhado no oceano de fantasias da cultura céltica que há muito encanta os contadores de histórias por suas particularidades e características. Seja pela magia fortemente relacionada a este povo, ou pelas profecias e crenças politeístas, os celtas tiveram seus primeiros registros catalogados por autores clássicos gregos e romanos, que relatavam várias práticas relacionadas a este povo e seu contato direto com a natureza, destacando o culto que faziam aos elementos das florestas, tais como rios, árvores, pedras, entre outros. É sabido que muitos desses pergaminhos milenares se perderam com a severidade do tempo, mas aquilo que restou foi o suficiente para que o estudo antropológico dessa cultura fosse aprofundado na idade moderna, tornando-se tema acadêmico dentro das universidade e, também, servindo de inspiração para autores apaixonados pela mitologia histórica indo-europeia. 


E foi exatamente dessa fonte que a autora neozelandesa Juliet Marillier se abasteceu para escrever sua trilogia de sucesso, intitulada de Sevenwaters. Mesmo sendo uma alegoria fantasiosa e ficcional no âmbito do estirpe céltico, a base histórica e antropológica, decorrente de um profundo estudo, presente em toda a série é bastante fortificada em conceitos e registros verídicos no que dizem respeito às práticas dessa etnia. O livro Filho das Sombras, aqui analisado, é o segundo volume dessa trilogia lançada no Brasil pela Editora Butterfly, onde ganhou uma edição primorosa nos detalhes artísticos e em sua diagramação, refletindo o capricho dos editores que contribuíram muito para uma leitura mais confortável.


Engana-se quem pensa que pelo fato de ser o segundo volume da saga, a leitura torna-se limitada em compreensão, pois, apesar de ser uma continuação do mesmo universo, a trama engloba personagens de uma nova geração em um novo contexto, permitindo a total compreensão da narrativa. O nome Sevenwaters se dá devido ao lugar imaginado e criado pela autora, "que se passa no crepúsculo celta da velha Irlanda" e corresponde, nos dias de hoje, as proximidades da região de Newry. Lá, não havia limites entre a realidade e a fantasia, "o mito era a lei e a magia uma força da natureza". Contos eram entoados entre seu povo, fazendo surgir os relatos de corajosos heróis; sereias e monstros marinhos; seres das místicas florestas e, é claro, os druidas — homens sábios cuja verdadeira origem permanece escondida na noite da história, que se dedicavam ao estudo naturalístico, filosófico e teológico. 


A personagem principal é Liadan, filha mais nova de Sorcha, que, por sua vez, exerceu o papel de protagonista do primeiro exemplar, Filha da Floresta. A menina recebeu muitas das características que a mãe demonstrava durante o desenrolar de sua história; entre elas podemos citar o dom da cura, as visões recorrentes, o apreço pelas florestas da região e a capacidade de falar com seus espíritos. Além disso, a mesma possui mais dois irmãos: Niamh, a mais velha, e Sean, irmão gêmeo de Liadan, o qual mantém uma ligação extremamente forte.


Em dado momento, em que as fronteiras da região estão sob ataques, a solução encontrada para o fortalecimento do domínio seria um casamento arranjado, onde Niamh era tida como a esposa prometida. Só que a primogênita de Sorcha não se sentiu à vontade com a proposta, tentando achar uma forma de recusá-la. Contudo, seus planos caem por terra e a jovem acaba cedendo. Seu irmão, Sean, enquanto isso, é treinado para se tornar um verdadeiro líder, dom natural inerente a sua personalidade, e aprende a arte da guerra junto à história de seu povo e de seus inimigos. Liadan, que também recebera uma proposta de matrimônio, achou uma solução fundamentada na saúde de sua mãe para recusar. Mas, ao ver a situação complicada da irmã, acaba por acompanhá-la na viagem até o seu novo lar. Claro que não seria um livro de fantasia premiado se não houvesse reviravoltas e surpresas; no meio dessa jornada, a protagonista é sequestrada por um bando de mercenários. Nesse contexto a trama dá continuidade com a principal característica de que um bom livro precisa: a capacidade de despertar as mais variadas emoções em seus leitores. Em meio a profecias, amores proibidos, drama, magia e muita aventura, Filho das Sombras preenche de peripécias as horas daqueles dispostos a se aventurar por suas páginas.
Os relatos aqui contados, são como um grão de areia comparado ao monte que ilustra o conteúdo do exemplar. Personagens marcantes; enredo fascinante e cenários encantadores dão o sobressalto do curioso título em relação ao conteúdo da obra. Trata-se do tipo de livro que quanto menos se sabe, mais cativante se torna; e por mais que pareça macabro com um título sombrio, a pegada é totalmente diferente quando sabemos diferenciar os gêneros literários. Vencedor Aurealis Award como melhor livro de fantasia, a obra, de fato, merece ser lida e ter um lugar especial na estante. Em síntese: o tipo de fantasia ideal para aflorar a imaginação e viajar além dos rigorosos limites da realidade.

ANEXO: Clique aqui para ler a resenha de Filha da Floresta.

Clique aqui para adquirir o exemplar.
Nome: Filho das Sombras
Autora: Juliet Marillier
Editora: Butterfly | Edição: 2013
Páginas: 615
Sobre: Juliet Marillier nasceu na cidade de Dunedin na Nova Zelândia. Cresceu neste cidade, estudou na escola Arthur Street Primary e Otago Girls' High School, depois foi para a Universidade de Otago se formando em Bacharelado em Música. Ela cresceu ouvindo história sobre a cultura e musica celta, o que influenciaria nas sua obras.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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