Um Tom Mais Escuro de Magia, de V. E. Schwab


É sabido que a leitura de um exemplar tem a capacidade de nos fazer viajar por entre as suas páginas, e que a qualidade dessa leitura tem a ver com os atributos da viagem que a mesma proporciona. Explicando em outras palavras, um livro só é bom quando nos transporta para outra realidade, permitindo-nos ser abraçados por experiências jamais imaginadas na vida real; um verdadeiro mergulho na fantasia, onde somos sujeitos a contemplar a riqueza e a profundidade de lugares e personagens, ambos inerentes à engenhosa imaginação de agentes criadores, tais como V. E. Schwab, autora de Um Tom Mais Escuro de Magia.
Muitos são aqueles que já se interessaram pela teoria das múltiplas dimensões, ou universos paralelos que englobam "diferentes realidades" no mesmo tecido. Algo parecido, também, com uma árvore que dá frutos iguais, mas em posições diferentes. É exatamente assim que podemos entender superficialmente a paralelidade presente na obra de Schwab, que nos dá a oportunidade de viajar entre diferentes dimensões em meio à narrativa original e característica da autora.


De fato, pode parecer algo um tanto quanto intrincado para se abordar em um enredo, mas engana-se quem pensa em conceitos acadêmicos e tediosos no lugar da emoção e sentimentos refletidos, ou preocupa-se em compreender teorias ao invés de curtir a incrível viagem que o livro proporciona àqueles que se aventuram por seus capítulos.


Kell é o protagonista do livro, que possui uma habilidade especial: viajar entre dimensões. Algo como um mensageiro, que leva informações de um lugar a outro. Dos mundos paralelos que ele consegue se locomover, todos possuem algo em comum que garante essa conexão. Ao todo são quatro dimensões que possuem uma Londres diferenciada por cores. Explicando em poucas palavras, a Londres Cinza é a mais parecida com a realidade, onde não existe magia entre seus habitantes pois a mesma foi esquecida com o passar do tempo. A Londres Vermelha, lar do personagem principal, é onde a mágica acontece com toda reverência. Já a Londres Branca, por sua vez, existe a magia e a população tem conhecimento dela, porém fora de controle; algo limitado e restringido aos habitantes que usaram tal poder sem consentimento da prudência. E, por fim, a Londres Preta que é uma incógnita aos leitores devido a acontecimentos do passado.


O problema é que Kell, ao invés de desempenhar somente a sua função de mensageiro, assume o papel de contrabandista entre esses mundos, levando objetos consigo a fim de vendê-los, o que é proibido. E em dado momento, ele conhece Lila, uma bandida da Londres Cinza, que rouba objetos para sobreviver, mas que não possui nenhuma magia em suas artimanhas. A mesma também assume um papel importante na trama. E é desse modo que a narrativa segue o seu fluxo: entre mundos, magia, aventura e mistério.
Trata-se de uma outra época, assemelhando-se com os costumes do século XIX. Assim, podemos perceber a construção minuciosa da autora ao idealizar essa realidade, pois com certeza requereu uma base aprofundada de estudos históricos visando o resultado proposto. Tal característica enriquece a premissa de Schwab, junto a seus personagens e cenários.


Para finalizar, afirmo ser uma obra que vale a pena ser lida. Sendo ela o primeiro volume de uma trilogia, cuja continuação será lançada em breve, é fato que a trama terá uma continuidade, mas isso não impede o leitor de encarar o livro como único, já que sua narrativa é bem concluída, dando apenas alguns preceitos para sua sequência. A edição da Record é primorosa, desde a arte da capa até a sua diagramação, além da organização dos capítulos. Isso contribuiu muito para a qualidade da leitura, que, como dito no primeiro parágrafo, garante uma viagem magistral aos leitores assíduos dispostos a encarar "um tom mais escuro de magia".

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Nome: Um Tom Mais Escuro de Magia
Autora: V. E. Schwab
Editora: Record
Publicação: 2016
Páginas: 420
Sobre: De acordo com o The Guardian, trata-se de "uma fantasia criativa centrada em um mundo com quatro versões de Londres, cada uma com um nível diferente de magia". Já o The Independent afirma ser um livro "inteligente, divertido e intrigante".

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Olá!!! Não conhecia o livro mas fiquei encantada com a resenha e com a temática. Sem dúvida uma excelente sugestão de leitura!

    https://proposicoesliterarias.blogspot.com.br/

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    1. Olá, fico feliz que tenha gostado!
      Obrigado por seu comentário. =)

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