Olhos de Carvão, de Afonso Borges


A escrita de Afonso Borges é tão característica em seu primeiro livro de contos que se torna reconhecível logo nas primeiras linhas de cada capítulo. Tendo ele uma experiência literária bem vasta, consegue dominar a espontaneidade em meio às palavras que compõem a obra. Isso não é algo tão simples quanto parece, pois requer prática e muitas folhas de rascunho amassadas para, enfim, chegar no resultado almejado e passar a emoção àqueles que se aventuram pelas páginas do exemplar Olhos de Carvão.


Ouso dizer que são o tipo de histórias onde cada um tem uma impressão singular; algo a ser experienciado de maneira tão particular quanto o fato empático, dado o momento em que o leitor se coloca no lugar do personagem e tenta compreender suas emoções e sentimentos. E falando em emoções, chave de seu enredo, o tempo é um fator importante a ser mencionado. Não é um livro profundamente detalhado em personagens e cenários, todavia em relances sentimentais na curta passagem do tempo de cada conto — extremamente distintos entre si, mas conectados a um aspecto em comum: sentimentos; além da escrita de Borges.


A sagacidade de suas frases curtas, às vezes resumidas em uma única palavra, dão aos leitores uma imersão completa na narrativa. A presteza no contexto poético e original completa a peculiaridade de cada conto, que, apesar de corriqueiros, passariam despercebidos aos nossos olhos. Somente um reflexo instintivo de clareza ou a sensibilidade de um autor experiente para transformar tais situações em contos poéticos. 


A variedade das histórias surpreende, também. Seja no quesito de lugar ou tempo, não há barreiras para o desenrolar das tramas. Quando menos se espera, eis que surge o final, num rasante, para dar início a outro conto, que mais se parece uma prosa.  Nenhum deles ultrapassa três páginas, o que reflete a genialidade do autor, fazendo surgir a pergunta: como resumir tanta emoção em poucas linhas? A resposta se encontra no primeiro parágrafo dessa publicação. Trata-se de sua escrita característica; sem palavras vazias, mas cheia de significados. Estilo artístico e ritmado, bom para ser lido em voz alta. 


Para finalizar, gostaria de mencionar que apensar de ser um livro extremamente breve, podendo ser lido em uma hora, sua mensagem toca profundamente quando mudamos a lente, ou seja, passamos a enxergar as coisas como o autor nos apresenta. Às vezes, a literatura não precisa ser entendida, mas sim sentida, e foi exatamente isso que me ocorreu. Senti as adversidades, as críticas, os tormentos e todo sentimento passado por Borges sem precisar entendê-los, sendo isso uma consequência da reflexão feita após a leitura. Dessa forma, resume-se em uma obra para leitores, que buscam diferenças em meio à mesmice; em outras palavras: arte para artista.

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Nome: Olhos de Carvão 
Autor: Afonso Borges
Editora: Record | Publicação: 2017
Páginas: 117
Sobre: Afonso Borges é gestor cultural, escritos e jornalista. Criou, em 1986, o projeto Sempre Um Papo e ,em 2011, o Fliaraxá - Festival Literário de Araxá. Escreve um blog no portal de jornal O Globo e tem cinco livros publicados: três de poemas, um de entrevistas e o infantil O Menino, O Assovio e a Encruzilhada. Olhos de Carvão é o seu primeiro livro de contos.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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