O Fazedor de Velhos, de Rodrigo Lacerda


Lançado originalmente em 2008, o livro de Rodrigo Lacerda conquistou inúmeros leitores por tratar de um tema bem comum na vida de quase todos que se aventuraram por entre as páginas da obra. De certo modo, a trama nos envolve numa crise existencial do protagonista após se ver obrigado a tomar decisões difíceis para seguir com sua vida; e isso reflete incontáveis emoções que nós, os leitores, também experimentamos no decorrer de nossa própria trajetória. A maturidade não se conquista do dia para a noite, e isso gera dúvidas sobre qual caminho seguir — principalmente na transição da adolescência à fase adulta —, proporcionando um turbilhão de pensamentos e preocupações à medida em que vamos nos desprendendo dos costumes infantis e nos agarrando à seriedade da sensatez.


Talvez o motivo de tamanho apreço seja pela simplicidade e originalidade do tema que repercuti na primazia do título em relação a obra. Além disso, a nova edição da Companhia das Letras, lançada em 2017, contribui ainda mais para que O Fazedor de Velhos chegue na estante de mais leitores. Ao logo de quase uma década, a trama conquistou reconhecimento e indicações importantes, como o Prêmio Jabuti de melhor livro juvenil no ano de 2009. Isso tudo em virtude do autor colocar-se próximo ao leitor, ou seja: ao invés de preocupar-se com as palavras rebuscadas que compõem a alta literatura, Lacerda escreveu seu universo fictício com total compreensão da realidade, sendo o bastante para conquistar a atenção do público.


Pedro, personagem principal, sente-se perdido e sem perspectivas de levar adiante sua faculdade de história. O rapaz então tenta encontrar um modo de ter certeza sobre sua verdadeira vocação, e nessa busca incansável por respostas, é indicado a ele um professor experiente que saberia dar um fim a essa preocupação. Contudo, o homem procurado já havia cruzado o caminho do protagonista outras vezes, e no decorrer da narrativa somos abraçados pelo laço que liga cada ponto da obra ao seu desfecho. Pode soar como um exemplar infantojuvenil simplório e em consistência, mas é essa simplicidade que dá a originalidade aos capítulos e garante uma crítica extremamente positiva ao livro.


São coisas corriqueiras, que passam muitas vezes despercebidas, presentes nas situações imaginadas pelo autor, as responsáveis pela introspecção sentimental, refletindo todas as emoções de um ser humano normal, que passa por problemas normais e encontra as soluções com a ajuda do próximo. Em virtude desse contexto é que somos surpreendidos com frases e passagens úteis para a vida, afinal, julgado o fato de todas as pessoas terem dúvidas sobre qual caminho seguir, independente de sua idade, a obra não se resume apenas ao publico jovem, mas todos queles abertos às possibilidades que a vida disponibiliza.


Trata-se de um exemplar pra se guardar com carinho, ler e reler. Aquele que desperta coisas boas em nossa mente e nos faz refletir sobre ações temporais. Afinal, ser velho não é sinônimo de muitos anos de vida, mas sim da bagagem que vamos juntando à medida em que vivemos. Pode-se viver mais em uma semana do que em um ano inteiro; de tal forma que a mensagem transmitida a mim pela obra foi a de termos a possibilidade de fazermo-nos velhos e enxergar o mundo de uma forma mais sábia e madura, da mesma forma que muitos optam por permanecer sob a sombra da imaturidade, deixando de lado as responsabilidades que o tempo traz.
Não seria nem um pouco exagerado se afirmasse que o livro de Rodrigo Lacerda foi uma das leituras mais especiais do ano. Acredito que, assim como Pedro, todos gostariam de encontrar um "fazedor de velhos" ao menos uma vez na vida. E arrisco dizer que podemos ir além ao nos tornarmos um. Se deixarmos de lado a ideia do adjetivo "velho" como algo negativo, seremos capazes de navegar um oceano de conhecimento e sabedoria que poucos tem a oportunidade de desbravar. 

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Nome: O Fazedor de Velhos
Autor: Rodrigo Lacerda
Editora: Companhia das Letras
Publicação: 2017
Páginas: 148 | Esse livro no Skoob
Sobre: Com uma prosa fluente, lírica e bem-humorada, o escritor Rodrigo Lacerda mostra as experiências e descobertas de um adolescente que, sem se dar conta, torna-se adulto. Dialogando com leitores de todas as idades, o livro prova que a única coisa que resiste ao passar do tempo é o potencial humano para se emocionar.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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