Eça de Queirós: Dez Contos Escolhidos


Existem aqueles que menosprezam o fato de seu idioma materno ser o português e acabam caindo num poço de protestação sobre a complexidade da língua. Por outro lado, há também os que conseguem perceber a beleza e singularidade desse linguajar que encanta os ouvidos dos que desconhecem suas palavras. Ora, quem nunca ouviu dizer que a sonoridade do português é mais encantadora que a do francês? Ou que sua escrita é capaz de aprofundar muito mais no âmbito sentimental, fazendo uso de toda pompa possível? De fato, países lusófonos são privilegiados por seu idioma, uma vez que o mesmo toma caráter artístico no vaivém das coisas corriqueiras. Dito isso, o nível se eleva imensuravelmente quando se tem a intensão de fazer arte com a nata língua poética, e um belo exemplo a ser citado é do escritor Eça de Queirós, que faz parte do seleto time de grandes autores lusófonos que entraram para história.


Muitos já devem ter ouvido falar das obras O Primo Basílio ou Os Maias, ambos escritos por Eça, que compõem o acervo de clássicos da literatura. Todavia, apesar do conhecimento dos títulos, alguns optaram por não se aventurarem pelas páginas dos exemplares por falta de familiaridade, ou seja: um obstáculo bem comum aos clássicos. No entanto, essa barreira foi destruída quando Mário Feijó reuniu dez contos do autor português em um livro, lançado pela editora José Olympio, que dá a oportunidade tanto para leitores iniciantes de se encantarem e se familiarizarem com a escrita de Eça, quanto para os experientes com um profundo conhecimento literário que adorariam ter esses contos reunidos num só lugar.


A antologia reúne textos aclamados do autor, e outros nem tanto, que sintetizam seu estilo e sua arte em dez partes. Dentre elas, temos a oportunidade de experienciar as características conhecidas do romancista, tais como a sua ironia transparente e o tiro certeiro de emoções junto ao jogo de palavras que ele sabia usar com maestria. Essa notável precisão seguida por frases de efeitos experimentais aos olhos dos leitores é, de fato, um dom consagrado, firmando o fato da memória do autor ser preservada até hoje em virtude de seus romances.


Entre os contos presentes na obra, temos a oportunidade, também, de notar situações que transmitem mais sentidos do que o seu literal, ou seja, algo que uma alegoria faz; e nesse contexto, a mesma se encontra em meio às situações que se desenvolvem paralelas à sociedade. Sua crítica às maneiras decorrente da observação do comportamento humano fecham o laço de particularidades do exemplar.


Enfim, sejam eles O Defunto; A Aia; Um Poeta Lírico; entre outros, os contos merecem o investimento de tempo em sua leitura. É sabido que muitos são os leitores que acham as palavras de Eça rebuscadas em construções difíceis de serem compreendidas, mas eu, por outro lado, penso que a arte, principalmente em fábulas, crônicas e poesias, precisa ser mais sentida do que entendida. Consigo sentir a mensagem do grande mestre dos romances em seus textos; de tal maneira que indico o livro para todos aqueles que gostam de desafios, pois o processo de discernimento entre sentir e entender não é fácil. Mas seja qualquer um dos lados, a experiência de leitura é fantástica e o conhecimento adquirido é extremamente importante para refinar os conceitos  sobre aquele que é tido como o mais popular escritor de Portugal do século XIX. 

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Título: Eça de Queirós: Dez Contos Escolhidos
Organização: Mário Feijó
Editora: José Olympio
Publicação: 2017
Páginas:  256
Sobre: Antologia reúne contos consagrados e algumas narrativas menos conhecidas no Brasil. Esta bela seleção de contos do grande Eça de Queirós compõe um panorama dos temas característicos da obra do grande autor português.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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