A Casa das Sete Mulheres, de Leticia Wierzchowski


Sempre me perguntei de onde vem a magia por trás dos romances históricos, os quais abraçam causas verídicas em meio à narrativa criada dentro desse contexto. Seria um gênio o primeiro que teve essa ideia? Colocando personagens nos momentos marcantes da história, dando-lhes características e tramando todo enredo que carregarão por entre as páginas do livro... Provavelmente sim! Por mais que eu não saiba quem tenha sido, posso dizer quem fez e continua fazendo dessa arte um instrumento de sabedoria e emoções, mesclando realidade com ficção junto à primazia da nobre escrita. 
De fato, Leticia Wierzchowski domina a temática proposta em seu exemplar A Casa das Sete Mulheres, que ganhou fama após a adaptação à minissérie da Rede Globo no ano de 2003.  Mas ouso dizer que não foi por isso que o best-seller conquistou o público e sim pela maestria da autora em relação à narrativa e a construção de seus personagens. A visibilidade alcançada, ao certo, contribuiu muito para que mais pessoas tivessem o livro em sua estante, inclusive eu, que fiquei encantado com o enredo e a riqueza nos detalhes. 


Em 2017, a editora Bertrando Brasil relançou a obra numa nova edição junto as suas continuações, formando uma trilogia magnífica que enriquece de forma imensurável o acervo nacional. Não é necessário ser um especialista para perceber que se trata de um fruto decorrente de uma pesquisa histórica extremamente aprofundada nos acontecimento do século XIX, na região sul do Brasil, mais especificamente sobre a Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha.


Esse acontecimento histórico se deu pela rixa entre o governo imperial brasileiro e os latifundiários rio-grandenses com caráter republicado. De tal maneira que a região dos pampas ficou tomada pelo medo à guerra. Bento Gonçalves da Silva, líder do movimento, visando a proteção das mulheres de sua família, isolou-as em uma estância,  localizada num local seguro e longe dos conflitos armados. O lugar era conhecido como Estância da Barra e lá as sete mulheres permaneceram, sempre refletindo uma expectativa inconsolável sem saberem o que acontecia ou deixava de acontecer. 
O interessante é que o livro de Wierzchowski mostra-nos a perspectiva das mulheres e daqueles que não participavam da guerra. Esses detalhes geralmente passam despercebidos pelos historiadores, que focam mais nos soldados, heróis e vilões. Claro que a obra está repleta de ação e batalhas, todavia a atenção não gira somente em torno daquilo que os livros de história nos contam, indo muito além e esmiuçando detalhes até então desguarnecidos. 
Durante longos dez anos de confinamento, as mulheres sofreram intensamente às sombras dos acontecimentos. As incertezas as castigavam internamente, e os meios de comunicação precários da época contribuíam para esse emaranhado de aflições. As cartas são um fator importante para o desenvolvimento da obra, que muitas vezes atrasavam e agravavam o estado de preocupação das personagens. E falando sobre elas, cada qual com sua personalidade singular e características que não são jogadas de uma vez, mas vividas no decorrer das páginas, o que contribuiu para o enriquecimento da descrição, não posso deixar de mencionar outros núcleos como o de Giuseppe Garibaldi, italiano que lutou junto a causa dos revolucionários e acabou se apaixonando por uma das moças da estância; Manuela, para ser preciso. A mesma personagens que escreve em seus cadernos e assume o papel de narradora da trama em certos momentos. 


Mas sabemos que essa paixão não é bem fundamentada devido a diversos fatores, e logo Giuseppe encontra Anita, também personagem importante, a quem tomaria como esposa. Enfim, o livro acontece entre guerras, amores, despedidas, solidão e diversos outros aspectos e sentimentos. Tudo bem construído; desde os cenários e ambientes até os empasses e desavenças. Extremamente aprofundado no quesito acadêmico, o que o torna uma fonte de sabedoria para entendermos sobre a construção histórica da nossa nação.


Como disse o autor da orelha do exemplar, Tabajara Ruas, o que não há nos livros de história sobre a Guerra dos Farrapos, há no romance de  Leticia Wierzchowski. E eu concluso dizendo que a escritora sabe usar com maestria as palavras para despertar emoções das mais diversas em seus leitores. É nessa posição que eu me coloco: leitor. Como tal, sinto-me honrado em passar a experiência que tive com o livro e afirmar que, com certeza, vale a pena ser lido e até mesmo ir além, colocando-se na pele dos personagens para sentir o que só a literatura de qualidade consegue fazer: trocar a lente com que enxergamos o mundo, alterar a nossa forma de pensar e, por fim, refletir a experiência em nossas vidas da primeira à última página. 

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Título: A Casa das Sete Mulheres
Autora: Leticia Wierzchowski
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 2017
Páginas: 462
Sobre: "O que não está nos livros de história sobre a mais longa guerra civil do continente está neste livro de Leticia Wierzchowski, um exercício totalizador sobre a violência da guerra e sua influência maléfica sobre o destino de homens e de mulheres."

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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