Uma Vez, de Morris Gleitzman



Não foi à toa que o exemplar de Morris Gleitzman entrou para a lista das 100 obras mais recomendadas para jovens segundo veículos de imprensa, tais como BBC e The Guardian. Isso porque "Uma Vez" trata de um tema um tanto quanto impactante à visão de muitos e até mesmo delicado para se abordar num livro de ficção, mas, firmando a primazia do contexto elaborado pelo autor, o mesmo proporciona aos seus leitores uma perspectiva diferenciada sobre o período da Segunda Guerra Mundial e o Holocausto, fazendo de seu livro uma atração para públicos de diferentes faixas etárias. 


O premissa põe o enredo em torno da inocência e simplicidade de uma criança e o seu ponto de vista a respeito das questões da época. Felix Saliger é o protagonista que, com 10 anos de idade, vive há 3 num orfanato católico na Polônia neste período turbulento e cheio de dificuldades. Acontece que o menino é judeu e está sob os cuidados das freiras; e esse fato me chamou atenção pois durante o final da década de 1930 até 1940, muitos orfanatos abriram suas portas para crianças judias a fim de salvar e proteger suas vidas dos ataques nazistas. Infelizmente, inúmeros acabaram destruídos e bombardeados quando os soldados de Hitler descobriam a origem das crianças. 


De tal maneira, Felix manteve-se em segredo aos outros órfãos, passando os dias à espera do cumprimento da promessa de seus pais — que não estavam mortos. Eles disseram ao garoto que viriam buscá-lo, mas, para segurança de todos, passariam um tempo distantes do local; somente atuando na posição de livreiros, que era o ofício do casal. Contudo, certa vez chegou ao orfanato uma tropa de soldados que atearam fogo em todos os exemplares de lá. O menino que viu tudo pela janela, interpretara aquilo como um sinal, junto a outros fatos, e acabou fugindo na esperança de encontrar-se novamente com seus pais. 


Assim começa o desembaraço da narrativa, que é feita em primeira pessoa pelo próprio protagonista. Como já disse, trata-se de um livro dedicado aos jovens, mas que pode ser apreciado por todos pois constitui uma gama de emoções e sensações inerentes ao amadurecimento psicológico. Entre as páginas da obra temos a oportunidade de experienciar uma história criada por Gleitzman , porém com embasamento na realidade de 70 anos atrás, quando havia muito sofrimento e dor àqueles em meio ao campo de batalha. Todavia, isso é amenizado pela perspectiva infantil de Felix, fazendo do exemplar uma obra única que usa esse cruzamento de perspectivas como uma ferramenta para não saturar o tema de confrontos históricos, já tão abordado em romances de diferentes gêneros. 


É um livro que vale a pena ser conhecido e indicado pelo fato de ter muito a oferecer, seja em aspectos históricos ou ficcionais. A edição da editora Paz e Terra condiz com o conteúdo da obra: simples e tocante, assim como a personalidade de Felix. Também não posso deixar de mencionar que apesar do ambiente, o livro não se resume só em tristezas, como já diz a frase destacada em sua capa: "todo mundo merece ter alguma coisa boa na vida pelo menos uma vez", e para percebê-la, basta olharmos como criança a relevância do contexto que nos cerca.

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Nome: Uma vez
Autor: Morris Gleitzman
Editora: Paz e Terra
Páginas: 160 | Publicação: 2017
Sobre: Este é um livro especial, que nos faz testemunhas do horror do Holocausto pelo doce e inocente olhar de uma criança. É uma história delicada, que nos faz pensar sobre intolerância, racismo, abuso de poder, perda e luto. Mas que também afirma o poder da amizade, da perseverança e da literatura para construir um mundo melhor.
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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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