O Aberto, de Giorgio Agamben


Muito além de uma relação contemplativa entre homem e animal no âmbito domestico dos dias atuais, o livro de Giorgio Agamben, relançado pela Civilização Brasileira em 2017, nos proporciona uma reflexão sobre a influência de uma animalidade nos moldes da história e uma comparação com o que havia no passado, tanto no quesito mitológico quanto no filosófico, até chegar no século XX ligando a humanidade com essa tal animalidade referida.


De forma clara e direta, o exemplar aborda o tema proposto a fim de fazer com que o leitor pense a respeito do assunto e desenvolva seus conhecimentos e conceitos acerca do mesmo. Tendo como ponto central as questões entre o que aproxima e o que diferencia o homem dos animais — em outras palavras: "O que significa ser humano?", além disso, Agamben aprofunda-se no assunto esmiuçando duas teorias; tanto a que afirma que o ser humano é um animal superior aos outros e a que diz que o homem não pode ser reconhecido simplesmente como um animal. 


Para ser mais preciso em dar minha opinião como leitor e resenhista da obra, acredito que dentro do contexto oferecido, o autor organiza suas palavras da melhor forma possível, pois apesar de ser um exemplar tecnicamente curto, isso não faz com que o conteúdo seja menos relevante; pelo contrário, as bases utilizadas na divisão dos capítulos em textos de outros autores, proporciona uma abrangência maior nessa relação entre humano e animal, mesmo sem ser prolixo. Afinal, é exatamente isso que os bons autores fazem: sem delongas, chegam no ponto da questão e passam todo o conteúdo com simplicidade e coerência, tornando o exemplar uma fonte de sabedoria.


Portanto, somos convidados a adentrar no limite crítico do ser humano, utilizando das ciências do homem e da biofilosofia como fatores que compõem o trabalho Agamben. É um livro acadêmico, de fato, porém que abrange temas relacionados a diversas áreas do conhecimento, mas que, sem sombra de dúvidas, é indicado somente àqueles que tem um apresso pelo estudo e pelo saber; que buscam sempre refinar os conceitos e ideias que englobam diversos assuntos no que diz respeito ao ser humano e seus empasses intelectuais. 


Assim como o livro, pude escrever esta resenha em poucas palavras, mas tentando utilizá-las da melhor forma possível, pois como disse o autor Joel Birman a respeito desse aspecto, "condensa-se nisso a beleza estilística" mesmo aumentando, por outro lado, a dificuldade teórica. E para finalizar, a primazia do conteúdo em relação ao título diz respeito ao fato de nós, seres humanos, não estarmos fechados ou aprisionados em nosso próprio meio, diferente dos animais. Somos capazes de abrir nossas mentes para compreendermos diferentes perspectivas, numa mesma linguagem.

Nome: O Aberto: O Homem e o Animal
Autor: Giorgio Agamben
Editora: Civilização Brasileira
Publicação: 2017 | Páginas: 160 | Esse livro no Skoob
Sobre: O aberto parte de textos antigos gregos, cristãos e judaicos até chegar a pensadores do século XX, como Martin Heidegger, Walter Benjamin, Georges Bataille e Alexandre Kojève, para examinar como a distinção entre o homem e o animal foi construída pelos pressupostos lógicos do pensamento ocidental. Além disso, investiga as profundas implicações que a distinção entre homem e animal teve em disciplinas aparentemente díspares, como filosofia, direito, antropologia, medicina e política.
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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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