Das Vindimas no Douro ao Rio de Janeiro


Fugindo dos padrões dos romances históricos onde os personagens, geralmente, sofrem com a dor da despedida ao final da trama, Ana Mariano de Carvalho inverteu essa situação, utilizando uma técnica de escrita brilhante, e colocou logo no início de sua obra o reflexo do adeus a fim de aflorar as emoções dos leitores já nas primeiras páginas e prepará-los para o turbilhão de sensações empáticas ao longo da narração.


A autora portuguesa, extremamente preparada no contexto acadêmico para desenvolver o enredo, proporciona uma viagem no tempo àqueles dispostos a se aventurar entre a região do Douro, em Portugal, até o Rio de Janeiro. No título já é possível perceber o ponto central do livro; mas, por ser  um termo incomum, é preciso destacar que "vindimas" significa o período de colheita das uvas que vai até o início de produção do famoso Vinho do Porto, também proveniente da região demarcada do Douro. 


É nessa perspectiva que a narrativa toma consistência, pois na época retratada, o Brasil era considerado uma "terra nova", cheia de oportunidades de trabalho para imigrantes vindos da Europa que buscavam uma vida melhor. E foi seguindo esse ambicioso desejo que Bento e Mauricio partiram das vindimas no Douro rumo ao Rio de Janeiro; ambos na esperança da garantia de uma vida melhor, estabilidade e conforto para suas respectivas famílias. 
Seria menos lamentoso o percurso dos dois se antes Bento não tivesse se apaixonado pela filha do dono da quinta de Nossa Senhora do Rosário — onde faziam as vindimas. Mas, o desespero foi mais forte que o amor nessa hora, e mesmo acreditando que jamais conseguiria ver a jovem Amélia de novo, Bento seguiu os conselhos de Maurício para juntos atravessarem o Atlântico. 


A partir daí que começa as grandes surpresas e reviravoltas idealizadas com genialidade pela autora. Pois mescla o fato histórico da imigração que começou no final do século XIX até meados da Segunda Guerra Mundial com os revertérios dignos dos clássicos romances de autores renomados. Além disso, é possível acompanhar o amadurecimento de cada personagem apresentado, destacar  as suas semelhanças e comparar os extremos entre amizade e amor, que muitas vezes são autores de escolhas difíceis que influencia drasticamente o caminho a ser seguido. 


A superação é uma palavra que bem descreve a obra, pois seguindo a passagem de que partiram "mergulhados na dor, mas levando a audácia dos jovens e a certeza dos fortes, para quem a vida é triunfada pela vontade", já se tem a noção de que o caminho é árduo, mas somente os que não temem desfrutam da vitória. Digo isso para não me aprofundar em detalhes já que a leitura se torna mais interessante quando não sabemos bem o que vai acontecer — todavia posso afirmar que se trata de uma aventura que oscila entre a compreensão racional e emocional, regada pelo desejo de vitória. 
E para finalizar, não posso deixar de mencionar a edição impecável produzida pela Editora Hyria, que tomou todos os cuidados para fazer o melhor trabalho possível. Enfim, sendo uma resenha a junção do resumo da obra com a opinião do resenhista, acredito ter atingido com exito o objetivo de resenhar esse maravilhoso romance que reflete em todos os brasileiros suas raízes portuguesas, além de informar e emocionar até a última página; condições que unidas garantem uma experiência única transpassada àqueles que abrem mão de seus desejos visando o bem do próximo e enriquece o acervo literário lusófono que tanto contribuiu para a formação de mentes literatas brilhantes.

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Nome: Das Vindimas no Douro ao Rio de Janeiro
Autora: Ana Mariano de Carvalho
Editora: Hyria | Publicação: 2016
Páginas: 224
Sobre: Ana Mariano de Carvalho nasceu em Lisboa, onde formou-se em História, na Universidade Lusíada, e cursou pós-graduação em Descobrimentos e Expansão Portuguesa pela Universidade Nova de Lisboa. Aos 20 anos veio para o Brasil. É apaixonada pela escrita e por histórias de amor e paz.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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1 comentários:

  1. Obrigado Filipe, sua resenha é digna de um Professor Universitário !! É muito, muito boa, não com vaidade minha pelo livro, mas com MUITA ADMIRAÇÃO pela sua forma de análise e escrita. Desejo-lhe uma carreira literária de SUCESSO ! Abraço
    Ana Mariano de Carvalho

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