Branco como a Neve, de Salla Simukka


Não é aconselhável iniciar uma trilogia pelo segundo exemplar, porém eu não tive escolha. Apesar de precisar ligar alguns pontos do primeiro livro, consegui entender a premissa e o enredo, assim como diferenciar a escrita da autora dos demais thrillers investigativos disponíveis nas prateleiras das livrarias. Branco como a Neve é a continuação de Vermelho como o Sangue, lançado no início de 2017 pela Novo Conceito, atraindo olhares de leitores que buscam algo eletrizante e sombrio.


Depois do sucesso do primeiro exemplar, lançado em mais de cinquenta países, que faz uma releitura diferenciada sobre os aspectos do clássico conto da Branca de Neve — nome dado também a trilogia por Simukka —, o segundo título continua com essa pegada de suspense referenciando o conto.  Mas claro que num tom muito mais sério no que diz respeito a menção de heróis e vilões.


O curto período de tempo da narrativa, narrada em terceira pessoa, é uma característica da obra. Em menos de uma semana o enredo se desenvolve em torno da protagonista, Lumikki, e dos demais personagens. Esta, por sua vez, se encontra em Praga, três meses depois dos acontecimentos do primeiro livro. Lá, na esperança de espairecer suas constantes ideias traumáticas, a moça acaba se encontrando com alguém que faz ressurgir pensamentos preocupantes em sua cabeça: Zelenka é seu nome. E essa nova personagem entra no contexto dizendo ser irmã paterna de Lumikki, causando um transtorno inevitável.


Após as explicações da órfã misteriosa, Lumikki, mesmo desconfiada, firma uma aproximação com esta mulher a fim de desenrolar esse entrave. E dese relacionamento "fraternal" surgem os novos problemas que serão discorridos ao longo das páginas do exemplar. Além desse fato já relatado na sinopse, temos a introdução de Jiri Hasek, um ambicioso jornalista investigativo que, em virtude da sua pouca idade, almeja um destaque profissional honrado e, para a realização disso, investiga seitas extremamente perigosas. E, então, a terceira vertente: o narrador misterioso, responsável por aguçar a incógnita. Tais ângulos, no decorrer da leitura, vão se abrindo para que o entendimento seja reto e a união das vertentes inevitável.
A originalidade da escrita finlandesa de Simukka nos faz conhecer uma realidade extremamente diferente da nossa; e esse intercâmbio literário nos permite mergulhar mais a fundo no oceano de mistérios e segredos proposto pela autora.


Por se tratar de um thriller, dentro de uma trilogia, não posso esmiuçar os detalhes da obra para manter o suspense. Porém, como uma resenha — cuja finalidade é misturar o resumo da narrativa com a opinião do resenhista — acredito ter passado o propósito do livro, diversificando as ideias e premissas presentes no mesmo sem, ao menos, entregar a chave do mistério, permanecendo obscura àqueles que não o lerem.
Por fim, posso afirmar que a autora tem muito a nos oferecer. E conhecer uma cultura não tão popular para nós, brasileiros, é uma ótima oportunidade de desenvolvermos conceitos literários para futuras leituras do mesmo gênero.

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Título: Branco Como a Neve
Autora: Salla Simukka
Editora: Novo Conceito
Publicação: 224 | Páginas: 2017
Sobre: Salla Simukka é uma premiada autora de ficção para jovens adultos. Tradutora e roteirista de TV, já estudou filosofia nórdica, finlandês, literatura e escrita criativa. Nasceu em Tampere, na Finlândia, onde vive até hoje. Salla é a autora de Vermelho como o Sangue, primeiro livro da Trilogia da Branca de Neve.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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