Charlotte, de David Foenkinos


Há muito buscava um livro que mesclasse aspectos culturais e históricos com emocionais. Saber de algo que desenvolvesse meu conhecimento acadêmico e, ao mesmo tempo, despertasse os sentimentos eloquentes que só os romances de primeira categoria conseguem fazer. Desse modo, Charlotte foi um presente... Tudo aquilo que eu imaginei e um pouco mais!


A organização poética e pausada nos dá a sensação de imersão num contexto que há mais de setenta anos é tema de inúmeros filmes e livros, ou seja, judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Charlotte era judia, assim como sua família, e o exemplar nos conta a criação da protagonista desde o início — assim quando ela lê o seu nome na lápide da tia pela primeira vez. 


Ter o mesmo nome da tia a assombrava desde o início, isso porque a mulher cometera suicídio e não havia sido o único caso na família. A menina crescera num período turbulento em que começava os preconceitos e perseguições aos judeus na Alemanha. Desenvolvera seu dom artístico em meio às tormentas e até chegou a conseguir uma vaga no colégio Belas Artes de Berlim, mas todos os seus sonhos foram interrompidos depois que as perseguições se agravaram. Teve de se refugiar no sul da França e lá começar uma nova história, longe daqueles com quem tinha costume, porém  nunca esquecendo de exercer o seu dom: o desenho e a pintura. 
Claro que durante o desenvolver da narrativa, são transmitidos vários momentos em que a menina questiona sua personalidade. Isso porque um turbilhão de coisas acontece em sua vida e ela se sente transtornada com tudo aquilo. E aos poucos vamos conhecendo sua personalidade única, tida como uma muralha. Muralha, esta, que fora ultrapassada! Apesar de ser fechada para si mesma e calada com os outros, antes de ir para o campo de concentração nazista, ela vive suas emoções e transmite para o papel em forma de arte.


É sabido que no ano de 1943 ela morreu grávida na câmara de gás em Auschwitz, mas sobre isso eu prefiro não comentar para não perder a originalidade e as descobertas do exemplar. Como por exemplo a forma dessa gravidez ter acontecido e se ela, de fato, se apaixonou ou não por alguém. Mas uma coisa é certa: as surpresas no decorrer da leitura são uma das características responsáveis pelo apreço à obra.


Em síntese, não se trata apenas de um romance biográfico, mas de uma janela para o horizonte poético de uma mente brilhante ofuscada pela tragédia. Charlotte merece ser conhecida e o exemplar de David Foenkinos nos proporciona isso: conhecer aquela que em meio ao silêncio conseguiu eternizar-se pela profundidade de seu olhar, revelando os traços  produzidos pelo pincel.  

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Título: Charlotte
Autor: David Foenkinos
Editora: Bertrand Brasil
Publicação: 2017
Páginas: 240
Sobre: David Foenkinos coloca em suas próprias palavras um tributo original, apaixonado e vivo a Charlotte Salomon. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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