A Experiência Nacional, Identidades e Conceitos de Nação


Para mim, como acadêmico de relações internacionais, foi de extrema valia ler este exemplar; isso porque trata do assunto nacionalismo com todo cuidado e detalhamento, assegurando a veracidade da informação transmitida por entre as páginas dos capítulos. Estes que em sua totalidade são ricamente elaborados e organizados de forma que passam, devidamente, os conceitos e experiências nacionais em suas respectivas áreas.
É sabido que a ideologia surgiu logo após a Revolução Francesa, onde a população em massa sentiu uma necessidade de acabar com a exploração da nobreza, promovendo a queda da Bastilha, movidos por uma aproximação e identificação com a nação — o que mais tarde veio a se chamar nacionalismo. É claro que com o tempo o conceito evoluiu e tomou outras dimensões, sendo exatamente esse o objetivo do exemplar: mostrar a experiência nacional em diferentes épocas e em diferentes lugares.


De fato, a base histórica diversificada nos dá uma experiencia de leitura magnífica, garantindo um desenvolvimento e entendimento do assunto tanto para profissionais da área, quanto para estudantes e até mesmo curiosos e interessados pelo tema. E é importante dizer que dentro dessa tese nacionalista está o patriotismo, que nada mais é do que o amor a símbolos, tais como a bandeira, o hino, instituições e representantes.
Para ser mais específico, cada capítulo foi escrito por um autor diferente, especializado no assunto, pensando as questões nacionais com ampla abrangência teórica e cronológica. Confira abaixo os tópicos abordados no livro:


► Lúcia Lippi analisa os impactos da Primeira Guerra no Brasil a partir da identidade nacional das transformações modernizadoras do país.
► Goffredo Adinolfi discute o caso italiano com ênfase na questão do fascismo.
► Flávio Limoncic centra suas reflexões nos Estados Unidos da Era Progressista, temporalidade que converge com o estudo de Emiliano Gastón Sánchez para a Argentina.
► Angelo Segrillo traça um amplo painel da questão nacional russa, assim como Lorenz Bichler o faz para a China e Eugênia Paliekari para a Grécia.
► Luís Edmundo realiza uma reflexão sobre as bases do nacionalismo alemão, construídas ainda no século XIX, ao passo que Andrea Marzano e Marcelo Bittencourt iniciam no século XIX e entram pelo XX para pensar a questão nacional da Angola.
► Francisco Sevillano Calero faz um corte mais preciso, pensando a Espanha durante a guerra civil, ao passo que Ágnes Judit Szilágyi considera os impactos da Áustria-Hungria no nacionalismo húngaro.
► Michel Bock avalia as especificidades de um país bilíngue, como o Canadá, ao passo que Leonardo Schocchet centra seus estudos na única nação entre as aqui elencadas que não possui seu próprio Estado-Nação, a Palestina.
► Francisco Martinho discute o impacto da Grande guerra para a unidade da extrema direita portuguesa e a desagregação da Primeira República.
► Oliver Dard faz uma análise das continuidades e descontinuidades da direita francesa entre a Grande Guerra e o surgimento da Frente Nacional no fim do século XX.


Dessa forma fica clara a abrangência da obra e a riqueza do trabalho organizado por Flávio Limoncic e Francisco Carlos Palomanes Martinho a fim de desmistificar o tema da identidade nacional. É uma excelente opção para este período em que vivemos pois podemos comparar fatos que já ocorreram com estes que presenciamos agora e nos perguntar: por onde anda o nacionalismo?
A edição, feita pela Editora Civilização Brasileira, estão perfeita. Altamente organizada com uma capa criativa que chama a atenção de leitores na prateleira de qualquer livraria. Além disso a diagramação é extremamente confortável e cada capítulo possuí uma base bibliográfica excepcional, contribuindo ainda mais para a absorção do conteúdo disponibilizado.


Com certeza o livro terá um lugar especial na minha estante, de fácil acesso, para ser consultado sempre que precisar. Trabalho primoroso que enriquece  as habilidades intelectuais de qualquer um, capaz de fazer todos aqueles dispostos a aprender, refletir sobre passagens históricas muitas vezes distorcidas por fontes não confiáveis, mas que construíram o conceito de nação que temos nos dias atuais.

Nome: A Experiência Nacional
Identidades e Conceito de Nação na África, Ásia, Europa e Nas Américas
Organizadores: Flávio Limoncic e Francisco Carlos Palomanes Martinho
Editora: Civilização Brasileira
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Páginas: 420 | Publicação: 2017
Sobre: A experiência nacional reúne 15 historiadores que pensam o nacionalismo e suas intrincadas relações com os Estados, em diferentes momentos ao longo dos séculos XIX e XX e em diversos países.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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