O Macaco e o Golfinho


Na Grécia antiga era costume entre os navegantes levar macacos para seus navios, quando iam viajar. Isso porque tinham tais seres como mascotes que traziam boa sorte nas grandes e perigosas viagens. Um navio que levava alguns desses animais naufragou próximo da costa de Atenas e, se não fosse a presteza com que ocorreram os golfinhos, toda a tribulação teria perecido afogada. Os marinheiros ficaram surpresos e intrigados com a inteligência do cardume, já que desempenharam o papel de salva-vidas.
— Que sorte a nossa termos esses animais por perto! — diziam uns aos outros.
Pois bem, o brilhante cardume pôde evitar o terrível naufrágio, e este feito não ficou perceptível apenas aos homens. Um macaco, valendo-se de sua semelhança física com os seres  humanos, achou que também tinha direito à salvação. De fato, um dos golfinhos o tomou como homem, levando-o através dos mares em cima de seu dorso. Já se aproximavam da praia, quando o salvador, numa tentativa de ser agradável, perguntou a seu passageiro:
— Sois também ateniense? 
— Sim — respondeu-lhe o macaco. — E por sinal sou muito conhecido na cidade. Se por acaso tens ali alguma questão que dependa de influencia para ser bem sucedida, podes dizer-me, que eu a resolverei. Meus parentes são todos homens públicos. Até o prefeito é meu primo!


— Muito vos agradeço, senhor — retrucou o golfinho. — Nada há no momento que vos possa pedir, a não ser que me faleis de como vivem os homens na terra. A propósito, conheces o Pireu?
— Como não? É meu amigo íntimo e todos os dias eu o visito.
Mal sabia o macaco no erro que incorrera, pois havia tomado nome de um porto pelo de alguma pessoa influente.
Sorriu o golfinho. Volvendo a cabeça para trás, vê pela primeira vez o ser estranho que transportava. Devido as mentiras do macaco, o golfinho acreditava ter tirado um pequeno monstro de má índole do fundo das águas. Assim, antes mesmo de chegar à praia, o mamífero dos mares mergulhou novamente no abismo do oceano a procura de um ser racional a quem pudesse prestar auxílio.
Destes seres que falam sobre tudo sem ter conhecimento de nada e contorcem a verdade, vangloriando de seus feitos, o mundo está cheiro, pensava o golfinho. Triste pensar que o pequeno macaco morrera por suas mentiras, todavia a ilustração da fábula reflete na realidade todas as experiências e oportunidades que alguém pode perder quando finge ser o que não é. 

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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