A Lagoa dos Sapos


Certa vez foi me contada uma história de uma lagoa no meio da floresta onde era localizado o reino dos sapos. O local era considerado o paraíso para a espécie, governado pelas ordens do rei. Este, por sua vez, se encontrava tristonho sentado em seu trono de cogumelo por não ter nada o que fazer.
— Não é fácil ser o rei da lagoa — afirmava para seu conselheiro. — Estou submerso em um poço de tédio, tudo se encontra na mais perfeita harmonia! 
O súdito, então, ouvindo os lamentos do monarca, sugeriu-o que fizesse uma competição na lagoa e desse as mais nobres honrarias ao vencedor. Pois bem, dito isso, o Rei Sapo não se aguentava dentro de si já que tamanho era seu entusiasmo. Pediu ao escrivão que elaborasse uma carta oficial e colasse no tronco do arbusto às margens da lagoa. Assim, todos poderiam participar.
"Caros súditos, contemplarei àquele que subir primeiro na copa do arbusto e me trouxer um ramo de sua flor com tesouros inimagináveis", dizia a tal carta. Logo, um burburinho começou em todo o reino. Sapos de todos os cantos da lagoa vinham para tentar alcançar o tão quisto ramo. 


Todavia, todos escorregavam ao tentarem escalar o tronco liso e úmido. Uma multidão se formava aos pés do arbusto enquanto muitos tentavam subir ao mesmo tempo. 
— É impossível — diziam. — Nunca ninguém vai conseguir! 
O coro era unanime, todos gritavam quando viam um sapo cair do meio do percurso. La de cima dava para escutar os lamentos de desesperança.
— Oh, meu Deus! Vamos desistir, não há maneira de escalar este arbusto. 
Muitos choravam ao ouvirem tal afirmação. Suas pequenas patas tremiam e escorregavam. Era triste de ver o desespero daqueles que objetivavam o prêmio. Será mesmo que era impossível? Todos estavam acreditando que sim. 
Foi em meio ao tormento e desespero que olharam para cima e viram um único sapo chegar ao topo, com dificuldade, e abocanhar o ramo da flor. Feito isso, o pequeno ser escorregou de volta à raiz para entregar o combinado ao rei. Todos ficaram perplexos. 
— Como ele conseguiu? Nem é tão forte assim para alcançar o topo. 
O Rei Sapo, admirado com o feito do súdito, perguntou:
— Como é o seu nome, rapaz?
Sem obter resposta, o rei e toda a multidão ali presente perceberam que o vencedor da tão penosa competição era um sapo surdo! 

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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