Fábulas para o Mundo


Este texto foi publicado originalmente no site 500 Palavras,  para acessá-lo clique aqui.
Escrito por Filipe Penasso, referências em www.500palavras.com

Analisando o conceito de moral, percebemos que se trata de um conjunto de regras aplicadas no cotidiano e usadas continuamente por cada cidadão. Ou seja, responsáveis por nortear ações, julgando-as entre o certo e o errado. Todavia, esse significado alterou-se com o tempo, já que sua etimologia veio da tradução feita pelos romanos da palavra grega êthica, cuja definição nos dias atuais se dá num conjunto de comportamentos humanos que engloba as regras morais. Portanto, dois significados diferentes desenvolvidos no decorrer do tempo; só que eis a pergunta: como Esopo sabia disso no século VII a.C.?
Questão pertinente se analisarmos a obra do autor. Esopo foi o maior fabulista de todos os tempos; aquele que inseriu o caráter moral alegórico — que transmite um ou mais sentidos além do literal — cujos papeis eram desenvolvidos por animais que sempre passavam sua “moral” no final da história, antes mesmo do conceito existir.


Pergaminhos de Heródoto afirmam que Esopo era escravo do filósofo Janto. Sua escrita partia da cultura popular, onde os animais falavam e criavam situações corriqueiras com o intuito de fazer o leitor refletir sobre a escrita. Resumindo: mostrar que o ser humano podia agir tanto para o bem quanto para o mal.
Quem não conhece a história da Cigarra e a Formiga, da Lebre e a Tartaruga ou da Raposa e as Uvas? Pois bem, é importante mencionar que o responsável por trazer Esopo para o mundo moderno foi Jean de La Fontaine, francês do século XV, onde reuniu diversas fábulas do autor grego, há muito esquecidas, em sua brilhante obra de doze volumes.
Muitos fabulistas vieram depois, sempre seguindo os passos de Esopo. Caminhavam num mundo fantasioso, transmitindo a ética por entre as linhas a fim de atingirem a moral. Quebraram a barreira do tempo com suas histórias emocionantes, seus percalços envolventes e seus sentimentos avassaladores. Diferenciando do conto puro, onde são histórias escritas com um só conflito, a fábula desbrava o universo fantasioso com introspecções lúdicas fazendo o leitor viajar no espaço-tempo.


No Brasil, o responsável por instigar os leitores nesse mundo fabulista foi Monteiro Lobato com sua obra Sítio do Pica-Pau Amarelo. Foram escritos 23 volumes com centenas de capítulos inspirados nas fábulas de Esopo e La Fontaine. Tanto que o último recebeu o título de Fábulas e Histórias Diversas, narradas pela personagem Dona Benta para seus netos.
Em síntese, as fábulas têm o poder de amenizar a severidade do mundo. Muitas contadas e passadas através das gerações, em tempos onde a comunicação era precária, modelaram a personalidade das pessoas. Hoje, devido à facilidade no consumo de conteúdo, o encanto se perdeu, todavia, a primazia continua sempre moldando o caráter daqueles que se aventuram pelas linhas do inimaginável.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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