A Casa da Grande Colina, de Catia Schmaedecke


Quão inspirador é o clima do nosso país, capaz de formar belas histórias? Resposta difícil de se ter, afinal de contas, ao longo de todo esse tempo escrevendo resenhas literárias, pude perceber a magnífica diversificação cultural que vai do norte ao sul do nosso imenso Brasil. Todavia, devo confessar que estava sentindo falta de cenários sulistas, com suas paisagens fantásticas altamente descritas por entre as páginas, seu clima diferenciado, suas culturas e, até mesmo, o jeito de falar. O sul do Brasil, de fato, tem muito a nos oferecer, e, em meio a essa busca literária, eis que surge A Casa da Grande Colina, com tudo o que estava procurando e mais um pouco.



A obra nos proporciona uma verdadeira viagem, graças à escrita da autora Catia Schmaedecke, que ousou ao transmitir a beleza e esplendor do Rio Grande do Sul, garantindo um resultado magnífico que se completa com a trama principal. Além disso, o exemplar conta, também, com a miscigenação italiana, pelo fato dos personagens possuírem tal ascendência, enriquecendo ainda mais a experiência histórica e cultural do livro, fruto de uma pesquisa minuciosa, detalhadamente repassada pela narrativa de Shmaedecke.


A trama se passa em torno de duas famílias, Sorrentinos e Bianchis, unidas por um casamento e donos de uma das maiores vinícolas do país. Miguel Sorrentino e Margot Bianchi eram o casal à frente de todo o império. Pais de duas filhas, transmitiam para a sociedade uma sólida estrutura familiar. Levavam as questões profissionais e familiares em equilíbrio, até o surgimento de Benedetta, jovem responsável pelo desequilíbrio desses aspectos e pivô de uma traição. Mas engana-se quem pensa que o livro se resume a isso; depois da morte precoce de Miguel que as coisas começam a  acontecer e a trama flui. Segredos atrás de segredos, surpresas e revelações.
"A verdade dói ainda mais quando mais tarde vier à tona, pois à medida que o tempo passa novas mentiras surgem pelo caminho, deturpando-a quase que irreversivelmente. [...] Uma mentira não se sustenta sobre si mesma."
Após a morte do personagem e o descobrimento da traição, a desavença entre as duas famílias começa a acontecer; brigas por terras, ciúmes e inveja. Aparecimento de personagens chave para o desenrolar da trama enriquece a narração. Em dado momento, percebi que a traição de Miguel com Bernedetta fora o menor de todos os problemas, e, a cada página virada, uma ansiedade crescia dentro de mim a fim de que acelerasse a leitura com o intuito de descobrir o que estava prestes a acontecer. 


É o tipo de livro que quanto menos se sabe, melhor se torna. Por esse motivo, preciso ser cauteloso ao repassar minhas experiências com a leitura. Os personagens da obra são altamente construídos com suas personalidades distintas, fazendo-nos pensar que existem de verdade. Um fato interessante é de que a autora foi audaciosa ao começar o exemplar com uma breve narração de algo que iria acontecer anos após a história principal e durante a leitura eu me perguntava: "Mas o que esse personagem vai fazer de tão ruim para que isso aconteça com ele?", e eis que no final fui surpreendido, achando-me um tolo por não ter pensado nesse desfecho antes.
"A elaboração da morte é necessária para que haja tanto o despertar a uma nova vida espiritual, bem como o despertar a uma 'vida nova corporal'. [...] Não é de hoje que a maldade faz morada ao lado da gente e nos dá bom-dia com um lindo sorriso no rosto. Para conhecê-la basta prestar atenção."
Para nossa felicidade, Catia Schmaedecke já possui outros projetos em mente para continuar a história com os personagens da nova geração; por ter lido seu primeiro romance e gostado demasiadamente, criarei grandes expectativas pelo segundo. Em síntese, foi um livro de reflexão sobre as ambições humanas e os sentimentos perversos que continuam mesmo após a morte. Há uma pegada espiritual que nos ajuda a manter a concentração na linda mensagem que A Casa da Grande Colina nos passa. Um livro espetacular que enriquece o acervo nacional e contribui para a formação ética daqueles que o lê. 

Clique aqui para encontrar o exemplar.
Título: A Casa da Grande Colina
Autora: Catia Schmaedecke
Publicação: 2015 | Páginas: 280
Sobre:“A Casa da Grande Colina” narra com riqueza de detalhes de que modo alguns embates familiares podem passar de uma geração a outra, contribuindo para nutrir o ódio mútuo originário de seus antepassados, em uma verdadeira involução na esfera espiritual. Ambientado em belas paisagens bucólicas da serra do Rio Grande do Sul, o primeiro romance da autora leva o leitor a viajar através dos vinhedos em uma atmosfera enriquecida de sonho e imaginação.
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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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6 comentários:

  1. Nossa, não conhecia a autora e fiquei bastante interessado pelo livro! Sua resenha está muito bem escrita, parabéns. Vou conferir as outras resenhas!!!

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  2. Amei a premissa da obra, gosto de livros que seguem esse espilo e que ainda por cima são brasileiros. Mais um para minha lista de aquisições. Muito bom!

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  3. Obrigado pessoal, fico extremamente feliz que tenham gostado da resenha! Grande abraço para todos vocês. Não deixem de conferir as outras também, para isso basta acessar o menu do blog na opção "Livros". =)

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  4. Amei a resenha, Filipe. Parece ser um livro muito bom, com certeza vai para a lista dos que vou comprar esse mês. Continue assim,quero te ver na TV um dia hahahaha

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  5. Já li e recomendo para quem gosta de uma boa leitura de contos de nosso querido Brasil,parabéns a essa jovem escritora.Espero que escreva um novo livro com a mesma riqueza em detalhes como esse.Antônio Oliveira

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