Filha da Floresta, de Juliet Marillier


A cultura céltica foi, de fato, um marco na história da humanidade que existiu em várias regiões da Europa, mas principalmente na Irlanda, Grã-Bretanha e Gália entre os séculos IV e III a.C. Sabendo disso, falar de um livro que aborda tal tema é extremamente gratificante, principalmente quando percebemos o quão bem feita foi a pesquisa antropológica para chegar ao resultado final. Juliet Marillier, autora do livro Filha da Floresta, conseguiu mesclar a realidade céltica e o que a história conseguiu provar cientificamente, com a fantasia, crenças e mitologia que tal povo acreditava existir. O mais clássico dos exemplos que posso citar é o naturismo, do qual derivou o culto das fontes, dos rios, das árvores e do sol.
"Um conto pode começar de diversas maneiras. Mas também pode haver mais de um conto, e cada um deles de transforma em uma maneira diferente de contar a mesma história."
Inspirado na história germânica dos Irmãos Grimm, O Cisne Selvagem, a obra tem como personagem principal Sorcha, sétima filha de um sétimo filho. Naquela época, acreditava-se que ao concluir esse ciclo de herdeiros, o último filho nasceria com poderes especiais, desde que fosse menino. Contudo, Sorcha quebrou esse ciclo, desapontando o pai ao nascer menina. Além disso, a mãe dos sete filhos faleceu no sétimo parto, juntamente no de Sorcha. Por esse motivo, a menina crescera com uma carga extremamente pesada para sua idade, carregando uma culpa que não era sua.


Criada junto aos seus seis irmãos, durante a infância, Sorcha adquire hábitos incomuns para uma menina medieval, não se importando com vaidades ou futilidades da época. Embora todos os irmãos sejam muito unidos entre si, não se pode dizer o mesmo do pai, que perdeu o brilho da alegria desde que Sorcha nasceu, tendo como único interesse, as batalhas para aumentar seu próprio reino, conhecido como Sevenwaters.
"Confiamos, muitas vezes, em nossa luz interior, e o caminho à nossa frente se mostra claro. Mas quando essa luz se enfraquece, deixamos de confiar em nossa intuição. Espíritos da floresta, espíritos da água, espíritos do ar, seres dos lugares mais recônditos da terra, ajudem-nos neste momento, pois nosso caminho agora será de escuridão e confusão."
Tudo ia aparentemente bem quando o pai dos jovens certa vez, retornando de uma de suas viagens, percebeu que a filha não portava a cordialidade requerida para as damas da nobreza da época. Além disso, todas as vezes que olhava para a menina, lembrava de sua falecida esposa. Nesse contexto, ele conclui que a solução dos problemas seria uma influência feminina para Sorcha, e resolveu se casar novamente.


Portadora da mais exuberante beleza, Lady Oonagh entra na vida da família como madrasta dos filhos do Lord de Sevenwaters. Contudo, o que a mulher tinha de beleza, também tinha de maldade e frieza, manipulando a vida de todos para atingir os seus próprios interesses. Percebendo isso, os sete filhos se veem na obrigação de tomarem uma atitude para acabar com as mentiras da madrasta e resolvem fazer um ritual na floresta, com a ajuda dos espíritos, para realizarem esse feito. Infelizmente, o que parecia improvável aconteceu, o ritual se transformou em maldição, transfigurando todos em cisnes, salvando-se apenas Sorcha, que no decorrer da obra terá como objetivo quebrar o feitiço e salvar seus seis irmãos.
"O futuro pode parecer negro para você nesse momento, e não há como saber o que virá. Mas há uma luz em todo caminho. Com o tempo você verá." "As folhas do salgueiro balançavam enquanto ela caminhava..."
Submetendo-se a tarefas extremamente difíceis e dolorosas, a menina precisa fazer tudo sozinha a fim de salvar os irmãos. Nesse momento é possível navegar pelo interior de Sorcha, com seus pensamentos e aflições de forma intensa. Além disso, existe um "afeto" proibido entre ela e um bretão — inimigos de guerra dos irlandeses —, todavia esse não é o foco principal da obra.


Em síntese, é preciso dizer que se trata de um exemplar denso, com um bom desenvolvimento em meio as suas seiscentas páginas. De fato, a autora consegue surpreender os leitores fugindo de tudo o que é clichê. É importante dizer também que esse é o primeiro livro de uma série em que cada exemplar tem seu próprio protagonista, passando de geração em geração.  Ao navegar pelo Reino de Sevenwaters, podemos desfrutar da magia céltica regada por fortes emoções, cujo contexto nos faz viajar pelo tempo e presenciar cada momento de tensão e reviravolta proposto por Sorcha, a filha da floresta.

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Título: Filha da Floresta
Autora: Juliet Marillier
Páginas: 616 | Data: 2012
Sobre: O domínio de Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e criaturas encantadas, além dos sábios druidas, que deslizam pelos bosques vestidos com seus longos mantos... Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era lei e a magia uma força da natureza. Esta é a história de Sorcha, que em sua difícil tarefa, imposta pelos Seres da Floresta, vê-se dividida entre o dever e  o amor.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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4 comentários:

  1. Excelente resenha, a premissa do exemplar pare e bem envolvente. Vou colocar na minha lista de desejados, obrigado por compartilhar sua experiência conosco! Sucesso!!!

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  2. Gostei da resenha Filipe, sou muito interessada na história dos Celtas. Grata

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  3. Um dos melhores livros que já li com toda certeza. Ótima indicação!

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