Cobra Norato, de Raul Bopp


Quão inspiradora pode ser a Amazônia por gerar tantos contos, histórias, mitos e fábulas? Com certeza trata-se de uma das regiões brasileiras que mais contribuiu para o enriquecimento do nosso folclore e literatura. De tal modo que o livro Cobra Norato, de Raul Bopp nada mais é que uma variante original de uma lenda que há muito cercava essa região lendária e misteriosa. Para ser mais exato, trata-se de uma poesia, uma poesia genial.



Obviamente não foi algo feito da noite para o dia, basta analisarmos a riqueza dos detalhes que perceberemos todo o empenho do escritor. Idealizado em 1921, escrito em 1928 e publicado em 1931; dez anos foram necessários para concretizar a obra, fruto da experiência de Bopp com a cultura amazônica, incluindo a lenda original, num andar sinuoso, veloz e poético.


A lenda original nos relata que uma índia, ao banhar-se entre o rio Amazônias e o Trombetas, foi engravidada pelo monstro rastejante das profundezas do rio. Disso, nasceram dois seres, também rastejantes, Norato, o menino, e Maria Caninana, a menina. A última era impulsiva e asquerosa, vivia afundando navios que passavam pela região, por isso, Norato, que era "bom", foi obrigado a matá-la. Depois do feito, o menino foi castigado com uma maldição; todas as noites virava moço e deixava sua pele de cobra na beira do rio. Das várias ramificações criadas no decorrer dos anos para tal lenda, a de Raul Bopp é uma das mais especiais pois, em seu livro, Cobra Norato arranja uma moça para ajudar-lhe em seu carma, a filha da Rainha Luzia, cuja tarefa exaustiva para tal realização se desenrola em meio às páginas do exemplar.


Considerada um marco para o modernismo literário brasileiro, a obra nos dá a oportunidade de se aprofundar em um encanto natural extremamente detalhado com a tipicidade regional. Natureza que brilha e domina os versos insertos do poema sem regras ou rimas. É, de fato, uma experiência profunda e densa para os que se interessam por culturas pitorescas, que nos monstra a imensidão e a diversidade do nosso país. Apesar de ser breve, o livro apresenta uma concentração de conteúdo intenso da Amazônia. Fonte de sabedoria e reflexão que enriquece, ainda mais, a literatura brasileira.

Apêndice: Não fugindo muito do contexto, Esopo já nos contou uma fábula cuja serpente é a personagem principal. Nela é possível encontrar os princípios da sabedoria e caridade. Clique aqui caso queira ler tal conto.

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Título: Cobra Norato
Autor: Raul Bopp
Editora: José Olympio
Edição: 2016
Páginas: 96
Sobre: Cobra Norato, poema genial de Raul Bopp, situa o autor como um dos maiores escritores de nosso país e presença de grande importância no movimento modernista da década de 1920, que tanto influenciou (e influencia até hoje) os caminhos da cultura nacional.
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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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