A História de Caronte: O Barqueiro dos Mortos


Dentre os seres da mitologia grega, Caronte se destaca por ser o barqueiro dos mortos, aquele que leva as almas através das águas dos rios Estige e Arqueronte, que ilustram a divisão entre o mundo dos vivos, governado por Zeus, e o mundo dos mortos, governado por Hades.


Sendo um dos filhos de Nix — deusa primordial da noite —, Caronte foi castigado com a tarefa depois de tentar furtar a Caixa de Pandora. Ao saber de tal feito, Zeus o mandou para o Érebo — personificação das trevas e escuridão — a fim de exercer sua nova função. Nesse tempo, Caronte dividia a função com o seu irmão gêmeo, Corante, onde cada um ficava numa extremidade do barco remando sobre as águas dos rios dos mortos. Porém, tal cumplicidade não durou muito; as moedas dadas pelas almas como pagamento pela viagem deviam ser divididas em igual, mas Corante notou que, a cada dia, as moedas ficavam mais raras e escassas, por esse motivo, começou a duvidar do irmão.


Certa vez, Corante pôde ter certeza de que Caronte estava lhe roubando. Costumava pegar as moedas antes de Corante notar o furto e tomava posse da maior parte da riqueza adquirida. Nesse dia os gêmeos começaram uma briga histórica, e durante treze meses — cada um com vinte e oito dias — e um dia firmaram a luta selvagem. Durante todo esse período, os mortos ficaram sem transporte e perambulavam pela terra, não havendo barqueiro para os conduzirem ao outro mundo. A luta só cessou no 365º dia, quando Caronte conseguiu matar o irmão, afogando-o no rio. Nesse momento as águas tornaram-se rubras de sangue, todo o rio foi tingido de vermelho e o corpo de Corante se dissolveu às margens.
Caronte não apresenta um tipo nitidamente escrito. De resto, a arte antiga repugnava mostrar o barqueiro dos infernos cuja fisionomia nos é sobretudo conhecida pelas descrições dos poetas. Mas podemos vê-lo, às vezes, nos monumentos da Idade Média, por exemplo no túmulo de Dagoberto. Na Capela Sistina, Miguel Ângelo o fez figurar no Juízo Final, onde tem por missão transportar os condenados a quem bate com o remo para lhes apressar o embarque.
Depois desse feito, Caronte passou a conduzir o barco sozinho; muitas vezes utilizava uma mascara de bronze com o intuito de esconder sua verdadeira face macabra e sombria, assim os navegantes não ficariam receosos de entrarem na embarcação. Sua tarefa tornou-se mais peculiar quando começou a conduzir apenas os mortos enterrados com uma moeda de óbolo embaixo da língua. A mesma era utilizada para pagar a travessia.


Entretanto, nem todos podiam pagar por um lugar na embarcação, essas pobres almas tinham que vagar por cem anos às margens do rio, o mesmo acontecia àqueles que eram enterrados sem a moeda também. Outra regra imposta pelo barqueiro era a de que nenhum ser vivo poderia utilizar a embarcação, a não ser que portassem consigo um ramo de Acácia, isso porque era a árvore consagrada a Perséfone, deusa sequestrada por Hades para se tornar sua esposa. Além de Hades, alguns outros deuses podiam entrar no submundo com livre acesso, eram eles Morfeu, Hécate, Hermes e Tânatos. Poucos mortais se aventuraram à travessia, como Héracles, Orfeu e Enéias. 


Diziam que Caronte recebia em seu barco espécies de todos os tipos; Thomas Bulfinch, conceituado mitólogo, em uma de suas obras afirmou que eram numerosos quanto às folhas de outono ou os bandos de ave que voam para o sul quando se aproxima o inverno. O autor ainda completou sintetizando que todos queriam passar, ansiosos para chegarem à margem oposta, mas Caronte dificultava com sua severidade, levando apenas os escolhidos e empurrando os demais para as traves da eternidade.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Quanta mentira,os gregos tinham tempo de sobra mesmo pra ficar inventando essas bobagens!!

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  2. Vc estava lá,participou de algo?viveu na época? é algum entendido de mitologia grega? não, então cale se

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