A Panela de Ferro e a de Barro


A panela de ferro propôs à de barro que empreendessem uma viagem. Esta, alegando que lhe seria mais conveniente ficar sobre o fogão, pois era muito frágil e o menor esbarrão seria o suficiente para quebrá-la, recusou-se à façanha.
— Tu és feita de material mais resistente e podes aventurar, na certeza de que nada te pode causar dano — explicou a convidada.
Não satisfeita com a recusa da companheira, a panela de ferro retrucou:
— Não te preocupes com isso, que estarei sempre perto de ti para proteger-te. Se algum objeto te ameaçar, defenderei-te, antepondo meu duro corpo.
Convencida da sinceridade da panela de ferro, a de barro resolveu sair à cata de emoções, ao lado da amiga. E não tardou que se pusessem a caminho, com o andar coxo e trôpego que lhes permitiam as três pernas que possuem. E assim iam esbarrando uma na outra, ao menor acidente da estrada, e tantos foram os encontrões, que não tinham ainda dado cem passos e a panela de barro foi feita em pedaços, num golpe mais violento de sua companheira. E tão fraca era a pobre que nem alento para queixar-se teve.
Esse conto nos ensina que existem pessoas que não se importam com nossas limitações, prometendo-nos proteção para atingirem seus próprios objetivos. Devemos saber o limite de nossa capacidade e aceitá-la, pois ao tentarmos fazer algo fora de nosso alcance, acaberemos em pedaços. Para isso, associemo-nos somente àquilo que nos convêm, para não sermos surpreendidos como foi a pobre panela de barro.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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