O Santuário de Glastonbury


Rodeada pela vasta planície de Somerset Levels, Glastonbury Tor, torre de uma igreja em ruínas, eleva-se na colina verdejante onde, bem no topo, constitui um marco inigualável de um dos lugares mais misteriosos da Inglaterra. E isto porque a misteriosa região, local de primitiva povoação cristã, está imersa em abundante riqueza de tradições, lendas, mitos e romances. Este pequeno e animado povodo atrai visitantes de todos os gêneros: românticos fascinados pelas lendas do rei Artur, peregrinos à procura da herança da antiga cristandade, místicos em busca do Santo Graal, enquanto os astrólogos são seduzidos pelos rumores da existência de um zodíaco na paisagem.
As lendas de Glastonbury poderão ter um fundo de verdade, mas o fato é que elas envolveram a região numa aura de mistério.
Lady  Chapel, a abadia do século XII, ergue-se no local de uma antiga igreja destruída por um incêndio em 1184 d. C. Tratava-se da "Igreja Velha" que, segundo a tradição, foi construída por José de Arimateia, o homem que carregou o corpo de Jesus Cristo para o túmulo. Porém, o maior mistério que cerca a colina é, sem dúvida, saber se o famoso rei Artur está ou não enterrado na abadia. Apesar dos frades afirmarem ter encontrado os restos mortais do rei e sua mulher em 1190, existem ainda muitas dúvidas quanto à veracidade da história.


A sepultura, no chão da abadia, foi descoberta depois de o segredo do local ter sido revelado por um trovador galês ao rei Henrique II. A cerca de dois metros de profundidade encontraram uma pedra achatada com uma cruz gravada e a inscrição seguinte: hic iacet sepultus inclitus rex arturius in insula avalonia — "Aqui jaz o famoso rei Artur na ilha de Avalon". 
No sopé existe uma nascente cujo cantar lembra o pulsar do coração. Essa nascente é também chamada Fonte de Sangue, pelo fato de suas águas serem de cor avermelhada, devido ao óxido de ferro. Todavia, sua mais famosa designação é de Vaso Sagrado, uma vez que a tradição dá como certo ser ali que se esconde o Santo Graal. Esta taça lendária, o cálice utilizado por Jesus Cristo na Última Ceia, teria sido trazida para a Inglaterra por José de Arimateia. Dizia-se que o Graal tinha enormes poderes e, depois de ter desaparecido, foi procurado em vão por inúmeros cavaleiros da Távola Redonda. 


No século XII, o historiador Guilherme de Malmesbury escreveu, referindo-se à Abadia de Glastonbury, que "ela transmitia, desde a sua fundação, qualquer coisa de sagrado e de celestial que se espalhava por toda a região…" Apesar das opiniões discordantes e dos estudos contemporâneos, o Glastonbury é ainda, usando as palavras de Malmesbury, um santuário da Terra.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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4 comentários:

  1. Nossa que interessante, sei que esse lugar inspirou várias obras literárias e cinematográficas, Filipe. Parabéns pela matéria. =)

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  2. Poxa, vida! Que interessante, estou encantada com o lugar... Adorei! Bjss <3 <3 <3 Continue escrevendo...

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