Lendas e Histórias Além das Ruínas do Grande Zimbábue


Durante muitos séculos os exploradores árabes e europeus sonharam com as fabulosas minas de Ofir, de onde o rei Salomão retirara os seus tesouros. A lenda do Preste João, o grande rei cristão cujos domínios englobavam o território onde se implantavam as referidas minas, era já do conhecimento dos exploradores portugueses do século XVI, que julgavam que Ofir se situaria no sul do continente africano. Em 1502, um árabe contou a um comerciante português que Sofala — hoje um porto de Moçambique — era Ofir.
Em 1552, o historiador português João de Barros escreveu a obra Da Asia, no qual descrevia a fortaleza de pedra de Sofala "no centro da zona de minas".  Esta fortaleza possuía uma inscrição indecifrável por cima da porta. Construída de pedra sem argamassa, a fortaleza era designada pelos habitantes locais como Symbaoe, um nome próximo do atual Zimbábue. Barros acreditava que as construções eram muito antigas, uma vez que nem os árabes nem os africanos eram capazes de ler a inscrição de origem não africana.
"As lendas das minas de Salomão, das riquezas da rainha de Sabá e do reino do Preste João atraíram aos Grande Zimbábue muitos caçadores de tesouros. Podem não ter encontrado montanhas de ouro, mas deram com inúmeros artefatos e provas de grande atividade mineira."
O Grande Zimbábue era quase de certeza o centro de uma grande nação mineira de língua benta que floresceu até o século XV. A tradição dos Balembas, um ramo da tribo sul-africana  dos Bavendas que descendia dos construtores de Zimbábue, alude à existência de um antigo "reino" a norte, governado pelo rei Mwali.


Mwali vivia numa cidade erigida no cimo de uma colina e cujos muros eram construídos com grandes pedras. Tratava-se de um deus-rei que ninguém estava autorizado a ver, uma vez que olhá-lo significava a morte. O povo apenas podia ouvir o que ele dizia ao sumo sacerdote num tom de voz aterrador. Quando da sua morte a guerra civil levou ao abandono da cidade; os seus habitantes emigraram para o sul, onde perto do rio Nzhelele, construíram uma nova capital murada, Dzata, que ainda hoje existe.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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21 comentários:

  1. Olá Filipe,
    Não conhecia essa lenda, mas gostei bastante.
    Tenho uma certa fascinação por essas coisas que não podemos ver ou isso nos causaria nossa morte. Você acredita que, quando eu era mais nova, acreditava que não podia olhar para o Sol ou morreria?
    Achei seu post muito legal e adorei os mapas!
    Beijos ♥
    Um Oceano de Histórias

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    1. Olá, Bruna! Que bom que gostou, sempre podemos aprender um pouco com essas histórias de povos diferentes. Obrigado pelo seu comentário! =)

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  2. Adorei o post Filipe. E fiquei bem intrigada com o relato, especialmente por direcionar para uma ambientação que o leitor consegue perceber que é repleta de detalhes. Sem comtar que os ensinamentos sempre estão presentes nessas cenas.
    Beijos, Fer

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    1. Com certeza, que fico feliz que você tenha gostado. Obrigado! :)

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  3. Oi, felipe, não conhecia essa lenda mas adorei e isso de não poder olhar o deus que interessante, fiquei curiosa se segundo a lenda alguém chegou a desafiar isso. Compartilhe outras conosco.

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    1. Olá, Tamara, a lenda foi passada de geração em geração entre os integrantes do povo Balembas. Não há nenhum relato por escrito que alguém tenha desafiado o rei-deus. Entretanto, caso descubra algo sobre, postarei no blog. Grande abraço para você e muito obrigado pelo comentário! =)

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  4. Que interessante. Eu não conhecia nada sobre essa lenda e ver a sua postagem me trouxe muitas novidades. Achei relatos bem curiosos e fiquei intrigada com a história. Eu gosto muito de conhecer histórias diferentes como essa.

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  5. Olá!! :)

    Nao fazia ideia da existencia dessa lenda (mas tambem existem milhões de coisas que nao sei, ne? ahah).. :)

    Bem, adoro historia e adorei ler esta lenda, ate porque e importante para conhecer um pouco sobre a historia deste povo bem diferente! :)

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

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    1. Quem bom que gostou, obrigado pelo comentário! =)

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  6. Oi Filipe, como vai?

    O seu blog é um show de cultura e história. Parabéns por criar um conteúdo tão rico assim. Confesso que não sabia dessas lendas e histórias e precisei reler pra entender melhor o contexto. No entanto, achei MUITO interessante e com certeza vou procurar pra saber mais. Lendas sempre me deixam instigada. Parabéns pelo post. :)

    Abraço!

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    1. Puxa vida, que honra receber um comentário como o seu! Estou muito feliz pelo "show de cultura e história", muito obrigado. =)

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  7. Oi Filipe, tudo bem?
    A Africa é tão rica de histórias e sabemos tão pouco. Diga-se de passagem o seu post, eu não conhecia essa lenda e a achei muito interessante, fiquei extremamente feliz em me deparar com ela. Sempre bom conhecer um pouco mais sobre história e achei bem instigante o rei-deus. Enfim, continue escrevendo post incríveis como esse.
    Beijos

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    1. Com certeza, Anna! Fico feliz que tenha gostado. =)

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  8. Oi Filipe, tudo bom?

    Gostei muito do seu post, rico em detalhes. Não conhecia essa lenda e fiquei realmente impressionada. Espero poder acompanhar mais posts como esse por aqui em breve.
    Beijos!!

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  9. Lembrei da medusa na parte do rei que não podia ser olhado! hahaha
    Parabéns pela postagem interessante, Filipe. É sempre bom conhecer coisas novas como essa lenda, que nunca tinha ouvido falar, apesar da sua riqueza de detalhes.

    Beijos

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  10. Infelizmente meu interesse por história é basicamente nulo, mas adorei o mapa na postagem, fiquei um tempão olhando para ele! E nunca tinha ouvido falar em deus-rei, que coisa mais horrível isso de que olhá-lo significava a morte... horrível mas interessante, essa parte chamou minha atenção.

    Beijo!

    Ju
    Entre Palcos e Livros

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  11. Oi Filipe, tudo bem?

    UAU, eu simplesmente amei a sua matéria. Sério, de verdade. hahaha
    Eu adoro esse tipo de conteúdo e esse, em específico, me agradou bastante.
    Eu não conhecia essa lenda, mas achei ela muitíssimo interessante, principalmente por fazer menção ao rei Salomão, tão conhecido no antigo testamento.

    Obrigada por acrescentar a mim esse tipo de conhecimento e, por favor, traga mais matérias assim. (:

    Abraço
    Ingrid Cristina
    Plataforma 9 3/4

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  12. Oi Felipe!!
    Adorei o post, não conhecia essa lenda. E posso te falar com todas as palavras, que de início fiquei meio perdida. Tive reler o post, pois não entendi sobre o que se tratava.
    Mas eu acabei gostando bastante, e vou super indicar as minhas amigas que fazem faculdade de história (Pois, quanto mais informação sobre a nossa história melhor, não é?!).

    Beijoss, e obrigado por me apresenta uma lenda nova.
    www.blogmixbooks.blogspot.com

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  13. Oi Felipe, tudo bem?
    Eu não conhecia essa lenda ainda e achei muito bacana, tem uma cultura e uma história bem cativante e gostei muito do modo como foi escrita. E só para reforçar que eu adoro o seu blog e esse conteúdo está demais!

    Beijos

    http://www.oteoremadaleitura.com/

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  14. A vossa "conversa" tá interessante mas... se conhecessem o que escreveu o genial investigador Mpoisés Espírito Santo, Professor de História das Religiões da Universidade Nova de Lisboa, saberiam que "o nome OFIR, só existiu e EXISTE ainda no norte de Portugal".
    A Geoglifia - a linha de investigação baseada na interpretação dos geoglifos visíveis nas fotografias de satélite - confirma o que o Mestre escreveu há mais de 20 anos!
    A OFIR DO REI SALOMÃO EXISTIU E EXISTE NA PROVÍNCIA DO MINHO, perto de FÃO, na margem do Rio Cávado, em Portugal

    FErnanda Durão

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