Pelos Caminhos da Vida, de Cristina Censon


O livro nos proporciona uma história envolvente que narra as dificuldades enfrentadas por duas jovens no ano de 1350, em plena Europa Medieval, para conquistarem a liberdade da escolha e seguirem o caminho imposto pelas divindades superiores. Trata-se de uma obra espirita e, como tal, aborda temas considerados como divisores de opiniões. 
Em uma época sombria, onde a sabedoria era reprimida e quem fugisse dos padrões era perseguido com herege e condenado à morte, um ser médium era visto como feiticeiro e portador das artes das trevas. Essa falta de conhecimento da população nos feudos gerava medo e repreensão nas pessoas que possuíam esse dom.


Adele, personagem principal, era apenas uma criança quando se viu obrigada a tomar decisões maduras para  seguir e desenvolver o seu dom. Acompanhada de sua aia, Justine, as duas fogem da prisão imposta pelo próprio pai cético da menina. Sua única esperança, era o nome de uma mulher deixado pela mãe de Adele antes de morrer. Seria uma bruxa? Feiticeira? As jovens nada sabiam, mas precisavam agir se quisessem ser livres. 
"Impeça uma criatura de pensar por si e já a está conduzindo a uma prisão, mesmo que sem grades. Aprisione uma ideia, um pensamento e estará tornando um ser cativo. Podemos, sim, receber indicações de caminhos a seguir, mas o livre-arbítrio é nosso para decidir por onde ir."
Em uma jornada repleta de dificuldades, as meninas conhecem pessoas especiais que agregam valores e ajudam-nas a completar a missão. Ao mesmo tempo que tentam fugir das garras dos soldados que as procuram. Uma curiosidade é que em nenhum momento o livro cita a palavra mediunidade, afinal, o termo surgiu muitos anos depois.
De fato, a trama se aprofunda bastante na cultura medieval e, ao meu ver, não falhou em sua descrição, dando ênfase  na peste negra, responsável pela morte de um terço da população europeia da época, e nos feudos, onde famílias tramalhavam, geralmente, com o plantio para os senhores feudais, a fim de conseguirem moradia e proteção.


Não são apenas os conceitos históricos que fazem da obra agradável e atraente, existem também os ensinamentos morais que completam a satisfação. Posso dizer que a autora soube equilibrar o nível entre as passagens religiosas e científicas, não abrindo espaço para a mitologia.
"Entre tempestades, momentos de calmaria. Basta aproveitarmos cada instante e efetuar o aprendizado necessário."
Pelos Caminhos da Vida abordou como o preconceito doutrinário faz mal a quem pratica e me ensinou que cada pessoa tem um motivo especial para estar vivo. Mesmo que não entendamos o porquê, devemos agir com respeito ao próximo, cultivando o amor, a fé e a esperança, a fim de tornar mais clara a estrada que nos leva rumo à evolução espiritual.

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Título: Pelos Caminhos da Vida
Autora: Cristina Censon
Editora: Petit | Data: 2016
Páginas: 384 | Esse livro no Skoob
Sobre: Ao lado de sua aia Justine, Adele foge da ira paterna e vai ao encontro de Elise, única pessoa que poderia ajudá-la a lidar com seus dons. E é a figura emblemática de Elise que unirá Adele a Aimée, jovem de igual sensibilidade e dons. O pai de Adele, no entanto, não desiste da perseguição à filha, e sua vingança acaba resultando numa tragédia de grandes proporções.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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