O Papel de Parede Amarelo, de Charlotte Perkins Gilman


Um dos maiores clássicos escrito por Charlotte Perkins Gilman e publicado em 1892, O Papel de Parede Amarelo causou repercussão no final do século XIX. Polêmico e fora dos padrões, a obra de poucas palavras foi, de fato, uma das mais marcantes da autora.
A história se passa em torno de uma família cujo homem é médico e a mulher, dona de casa, submissa ao marido. O casal possui uma filha, ainda criança, e uma babá.
Por se sentir pressionada com as obrigações do casamento e cansada da  submissão, a mulher apresenta sintomas de histeria — na época, pouco se conhecia sobre o tema — que é, erroneamente, tida como "fadiga nervosa".


Percebendo a fragilidade da esposa, o marido aluga uma casa no campo e leva a família para passar uma temporada de três meses lá, com o intuito de acalmar a mulher. Mas, ao contrario do que se pensava na época, a mulher queria trabalhar, se sentir útil, viver sua vida independentemente e, acima de tudo, fazer suas próprias escolhas.
Muitas vezes, chegou ao marido falando-lhe que não era a escolha certa fazê-la repousar, mas, o homem, dizendo ser médico, sabia o que estava fazendo. Acontece que, realmente, não era a escolha mais sensata.


Chegando na casa de campo, a mulher foi proibida de fazer qualquer tipo de serviço, incluindo o que lhe dava maior prazer: escrever. No quarto do casal, havia  um papel de parede amarelo que lhe perturbava. Com suas linhas irregulares e suas formas abstratas, a mulher tinha visões.  Por inúmeras vezes, pediu ao marido que arrancasse aquele terrível papel de parede, mas a resposta sempre foi negativa. 
"A heroína lê esse papel de parede e o interpreta e, de certo modo, busca por uma saída."
O marido, muitas vezes, saía para cuidar dos pacientes e, nesses períodos, a esposa via a oportunidade para escrever tudo o que sentia. Em sua cabeça o papel de parede se movia, havendo uma mulher presa em seu interior mexendo nas linhas; camada sobre camada. Muitas vezes, rastejava...
"Há coisas nesse papel que só eu sei, e que ninguém mais virá a saber."
Não houve melhora de seu estado de saúde, a mulher chegou a roer os móveis; o marido não entendia o porquê! Foram três meses turbulentos na vida da família.
A obra foi escrita em momentos difíceis da vida da autora. Críticos diziam se tratar de uma autobiografia, o que naturalmente lhe rendeu hostilidade pública. Entretanto isso não a abalou, e até o final de sua vida, foi uma exímia professora e palestrante  a favor dos direitos igualitários da mulher.

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Título: O Papel de Parede Amarelo
Autora: Charlotte Perkins Gilman
Editora: José Olympio 
Data: 1891 | Páginas: 110
Sinopse: Ora, toda mulher conhece o papel de parede amarelo e seu bizarro padrão. Muitas o rasgam e saem de dentro dele num ato de transgressão cujo preço é conhecido. Contemplá-lo e rasgá-lo são atos de desconstrução que podem levar além da casa. Sair dela continua não sendo fácil, mas é o convite que Gilman, em seu generoso gesto literário, faz ainda hoje.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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