Thomas Merton e o Monge do Deserto


Nascido na França em 1915, Thomas Louis Merton, um homem de sabedoria monástica captou a imaginação do século XX, da mesma forma que os monges ancestrais do deserto fizeram no século IV.
Voltou à casa da família materna nos Estados Unidos para escapar da Primeira Guerra Mundial. Após a morte da mãe, frequentou a escola e a universidade na Inglaterra, retornando aos Estados Unidos, em 1935, para frequentar a Universidade de Columbia. Merton vinha de uma família protestante sem fervor religioso. Mas, em 1938, ele vivenciou uma profunda conversão ao Catolicismo. No ano em que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial - 1941 -, ele ingressou no mosteiro de Getsêmani, no Kentucky, onde viveu o resto da vida. Em meio a uma jornada ao Extremo Oriente, em 1968, Merton faleceu.
Chamado de "Lama Americano" pelo próprio Dalai Lama, elogio que é, talvez, o equivalente moderno a ser reconhecido como um monge do deserto da nossa era.
Em 1948, ele publicou "Sementes de Contemplação", um livro cujo tema-chave é a procura do verdadeiro "eu". As pessoas falham em serem elas mesmas, porque é mais fácil ser uma pessoa qualquer e porque podem imitar o sucesso de qualquer outra pessoa em vez de se arriscarem a falhar. Trabalhar duramente para imitar outra pessoa, no final, não é abnegação: na verdade, é egoismo. " Pode haver egoísmo intenso em seguir outra pessoa. As pessoas têm pressa em engrandecer-se, imitando o que é popular - sendo que muitos ainda são preguiçosos para pensar em algo melhor".
Ele nota como o "manter-se ocupado" e o "falso eu" estão unidos: "a pressa arruína os santos da mesma forma que aos artistas. Eles querem sucesso imediato e são tão afobados em consegui-lo que não têm tempo de serem fiéis a si mesmos. E quando a loucura paira sobre eles, argumentam que essa afobação é uma espécie de integridade".
Na essência, ele ressalta que muito do que se entende por ser fiel a si mesmo é uma mera imitação das experiências de outras pessoas. A verdadeira tarefa de ser fiel a si mesmo é um lento e profundo trabalho, não é um caminho prefixado, mas envolve muita procura e mudança. Manter-se ocupado é uma maneira de evitar ser fiel a si mesmo, de forma que o desejo de não ser mais tão ocupado se encontra com o desejo de ser fiel a si próprio.
Aqui, Merton oferece uma revelação que ilumina todo esse espaço sagrado que se abre à nossa frente e organiza nossa agenda de vida: "para que eu me torne eu mesmo, é preciso que eu deixe de ser o que sempre pensei que quis ser".

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Achei muito interessante seu blog, li algumas postagens. Estou seguindo ele agora, sucesso!

    http://iii-threegeeks.blogspot.com.br/2016/01/o-retorno-e-o-filme-unfriended.html

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    1. Achei muito interessante o seu blog também! Obrigado...

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