O Velho e as Árvores


Um velho plantava árvores quando pelo local passaram três mancebos.
— Plantar com essa idade ainda se compreende. Mas plantar árvores!... Não há dúvida, esse velho caduca. Diga-nos: qual será o futuro desse trabalho? Para colhê-lo, terá que viver mais que um patriarca. Para que se cansa por um futuro que não poderá usufruir? Esqueça seus antigos pecados, renuncie às esperanças remotas e às empresas ambiciosas, o que só a nós interessa — dizem os rapazes.
— Também nada é para vocês — retrucou o velho. Tudo que projetamos demora a concretizar-se e pouco dura. O tempo domina tanto sobre meus dias quanto sobre os seus. Qual de nós, diga-me, verá por último a luz do dia? A meus bisnetos e tetranetos é que lego a sombra dessas árvores. Acaso impedirão aos homens honrados do futuro de se aproveitarem do esforço alheio? Só a satisfação de saber que meus descendentes comerão dos frutos destas árvores já é, para mim, feliz colheita, que faço hoje, amanhã, e mais alguns dias, até, pois é possível que eu veja nascer muitos sóis sobre suas sepulturas. 
E tinha razão o velho.
O primeiro dos mancebos morreu afogado no porto quando partia em viagem. Outro, batendo-se em armas por sua pátria, encontrou o fim. E o último, realizando um enxerto em uma árvore, dela despencou, vindo a falecer. O velho... o velho gravou nas três sepulturas a história aqui contada.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Texto incrível, ótimo pra refletir. Nunca sabemos o dia de amanhã por isso podemos sempre planejar e pedir a Deus que cuide de nós ne. Gostei mt do seu blog, bjus!

    bomhumornaosaidemoda.blogspot.com

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  2. Obrigado Rebeca! Fico feliz por ter gostado...

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