A Constelação dos Deuses


Os antigos gregos, seja pelo idioma, costumes ou religião, certamente sentiam-se diferentes dos outros povos por eles conhecidos. Tanto assim, que dividiam a humanidade em helenos — habitantes da Hélade, região central da Grécia — e bárbaros — todos os que não falavam grego.
Mas a essência do helenismo não foi geográfica ou linguística, e sim social e cultural. Foi uma forma de vida característica, corporificada numa instituição básica: a polis ou cidade-estado.
Costumavam dizer: "Os bárbaros são escravos; nós, helenos, somos homens livres". Essa liberdade não significava apenas a consciência nacional, o governo de si próprio, o respeito à lei e à justiça. Era toda uma concepção do universo, perfeitamente resumida na frase do filósofo Protágoras: " O homem é a medida de todas as coisas". Esse culto do homem praticamente se confunde com o culto de seus modelos ideais, os deuses. O supremo Zeus observa os movimentos do mundo, atende às necessidades das pessoas, intervém em suas guerras, castiga os culpados, protege os inocentes. Um comércio incessante estabelece-se entre as divindades, que se dignam aproximar-se dos mortais e unir-se a eles sob mil disfarces, dando origem aos semideuses e heróis.
No cimo do monte Olimpo, o mais elevado de toda a Grécia, os poetas situaram uma imensa confraria de deuses, que assumiram nomes, fisionomias e atributos diferentes, conforme os povos e regiões. Assim, eles iluminaram os homens, sustentaram suas instituições e inspiraram primorosamente obras de arte.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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