A Preciosa Arte dos Cálices de Flores


A história começa nos albores do mundo, quando a Terra começava a dar vida às criaturas vegetais feitas de água, de vento, de sol e de poeira das rochas. Aconteceu, então, que no misterioso trabalho de transformação orgânica que se realizava no seio daquela natureza selvagem, o acre odor de terra recém-saída do caos e aquele dos vapores que perambulavam pelo espaço, as exalações dos vulcões e das águas em fermentação, se transmudassem, aqui e acolá, em hálitos leves e tênues, brotados dos cálices e de empolas carnosas: as flores.
Não se parece isso o começo de um maravilhoso romance?
No segundo capítulo dessa história, o homem já fez seu aparecimento sobre a terra. Esta criatura surpreendente, obedecendo aos próprios instintos de conservação, limita-se, a princípio, a procurar nos três reinos da natureza o desejo  de satisfazer os seus sentidos mais requintados: a vista e o olfato.
Respirando aquela zona de ar mágico que circunda as belas flores multicores, o homem sente nascer em si a ânsia de agarrar o eflúvio e, como este se evola e desaparece com o vento, ele se põe a refletir sobre a maneira de captar e aprisionar os perfumes.
Terceiro capítulo: os Orientais descobriram, antes de todos, que a madeira, as folhas das árvores, as ervas e as flores cedem suas cores e seus aromas à água. E então, graças ao progresso realizado mediante a utilização do fogo, Chineses, Persas, Egípcios e Árabes adquirem a capacidade de tratar, com o calor, também os vegetais para melhor extrair deles as oleosas essências perfumadas e os bálsamos curativos. 
Lá, algo nos diz, em uma linguagem sem palavras, do sol, do livre prazer, da serenidade e frescor, porque dizem os poetas, o perfume natural das flores é um pouco do céu que desce à terra e um pouco da terra que sobe ao céu.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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