Clemência À Calhandra


A lei do universo é esta: se deseja clemência, seja também clemente. As injustiças dos maus servem muitas vezes de desculpa para nossas más ações.
Certa vez, um campônio saiu para caçar passarinhos, atraindo-os com um espelho. O brilho do objeto atraiu uma calhandra. Imediatamente um gavião, que sobrevoava os campos, precipita-se sobre a avezinha, que cantava ao lado da armadilha, sem conceber o perigo que correra, por aproximar-se tanto. Mas de nada lhe valeu a felicidade de ter escapado ao engenho humano, pois tão logo se viu livre daquele perigo caiu nas garras do gavião, sentindo as unhas pontiagudas adentrarem sua carne. Estava o gavião ocupado em depenar a presa e por isso não viu que, num movimento mais amplo, poderia ser colhido pela armadilha da qual há pouco escapara a calhandra. E esse movimento foi feito.
— Senhor caçador — disse o prisioneiro no seu estranho linguajar — tende piedade de mim e solte-me . Eu não vos fiz nenhum mal.
Ao que o caçador replicou:
— E esse passarinho, que mal te havia feito?

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Parabéns pelo blog, assuntos bem interessantes. Escolhi esse post para dizer que sou apaixonada por esse conto foi um dos primeiros a citar quando entrei na Universidade, então por isso, bjus, sucesso!

    http://petalasdelicadas.blogspot.com.br/

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  2. Obrigado, também adoro esse conto! Grande abraço...

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