A Ideologia do Materialismo e Idealismo


O termo ideologia foi criado por Destut de Tracy, em 1801, denominando a análise das sensações e das ideias. Uma ideologia política vem a ser um sistema de crenças aceitas como verdades inelutáveis, expressando o clima social e o estado de ânimo próprio de uma sociedade concreta. Trata-se de uma concepção peculiar do mundo e da humanidade e, nesse sentido, fala-se em ideologia burguesa, liberal, totalitária, marxista e tantas mais. Em outras palavras, volta-se muito mais para os que "atendem" que para os que "entendem".
Para entendermos a ideologia dialética, que é a arte da discussão, não podemos confundi-la como retórica, já que não pretende impressionar e captar, mas convencer e levar a compreensão. Assim, entendemos o raciocínio que busca a verdade por intermédio da oposição e da conciliação de contradições.
Georg Wilhelm Friedrich Hegel define a dialética como a conciliação dos contrários nas coisas e no espírito. O processo dialético, diz ele, consta de três momentos: tese, antítese e síntese. A uma tese opõe-se uma antítese; o conflito vai originar uma síntese. Portanto, o método dialético afirma a identidade dos contrários. Uma coisa é ela mesma e o seu próprio contrário. O rico é o rico, mas ao mesmo tempo a sua condição de rico é a afirmação da realidade cuja negação, cujo contrário, enfim, é o pobre.


Já Karl Marx, afirmava a precedência da matéria sobre a ideia, o que equivale ao materialismo. A filosofia marxista é muito mais ideologia do que filosofia, pois se volta para a ação, tentando explicar como as coisas realmente são, como e por que o homem está alienado.
Mesmo Marx sendo muito influenciado pelo pensamento de Hegel, que falava sobre o idealismo como forma de interpretar o mundo e uma ideia absoluta, afirmando que somente a nossa consciência teria existência real e que o mundo material, a natureza, enfim, nada mais seriam do que o produto da consciência humana, de fato foi significativo para o filósofo. Mas Marx afirmava que o pensamento hegeliano, para que se tornasse perfeito, seria preciso colocá-lo na posição correta, isto é, despojado do idealismo.
Para Hegel, o processo de pensamento, de que ele faz mesmo, sob nome de ideia, processo autônomo, criador da realidade , não é mais do que seu fenômeno exterior, afirma Marx em seu livro "O Capital", e completa dizendo que o mundo das ideias é apenas o mundo material, transposto e traduzido no espírito humano.


No pensamento hegeliano, o processo dialético da realidade que denominamos objetiva não é mais do que uma manifestação da ideia. No pensamento marxista, entretanto, o mundo material existe independentemente da ideia, do espírito. 
Concluí-se, de fato, que o materialismo e o idealismo são duas correntes contrárias, dos campos inconciliáveis da filosofia. A linha divisória entre os dois é o seu diferente modo de resolver o problema da relação entre a matéria e a consciência. O principio essencial do materialismo é o reconhecimento de que o fator primário é a matéria, e a consciência o secundário. Inversamente, o princípio essencial do idealismo é a afirmação de que o fator primário é a consciência, e a matéria, secundário.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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