As Fraudes e Segredos do Coronelismo


Desde sempre abandonadas pelo poder público, vivendo no analfabetismo, na pobreza, na ausência de assistência médica e judiciária, exposta à violência de malfeitores como jagunços e cangaceiros ou do poder da polícia, as populações rurais e das pequenas cidades  em tudo dependiam dos favores dos coronéis para viver.
A origem do Coronelismo remota ao início da República, onde os coronéis se caracterizavam por serem os detentores do controle de uma massa de eleitores cuja conduta política podia ser manipulada e dirigida, a fim de satisfazer o projeto de eternização no poder local do grupo dominante. Sua importância variava conforme o número de eleitores que podia controlar, oferecendo proteção às populações residentes em sua área de influência, exigindo obediência.
O processo de votação reservava inúmeras oportunidades de fraude e intimidação a fim de impor ao eleitorado a vontade dos coronéis. Tinham a possibilidade de fazer constar o voto de pessoas já falecidas e analfabetos com documentação comprobatória de idade falsa. Além disso, o voto não era secreto e as mesas eleitorais tanto podiam coagir o eleitor quanto falsificar o resultado da eleição.
Ficaram famosas nesse período expressões como "eleição a bico de pena", quando os mesários simplesmente dispensavam a presença dos eleitores e eles mesmos preenchiam os votos; "curral eleitoral" ou "voto de cabresto", que designavam a condução - sob coação ou suborno - para votarem sob supervisão dos coronéis ou seus capatazes; "cédula prenha" ou "cédula de ferro", que designavam a cédula eleitoral já preenchida a qual cabia o eleitor apenas depositar na urna, e assim por diante. Logo após as cédulas serem apuradas, eram incineradas , impedindo qualquer pretensão de recontar os votos. 
Caso algum candidato indesejável ou dissidente tivesse sido eleito, se procederia à impugnação da sua diplomação. Era a fase da "degola" dos elementos de oposição que porventura tivessem conseguido votos suficientes para se eleger.
A erradicação do Coronelismo sempre dependeu da autossuficiência econômica dos eleitores, do maior acesso destes aos serviços públicos com base no conceito universal de cidadania e da imposição de mecanismos de combate às fraudes eleitorais e de respeito à vontade dos eleitores. Mesmo assim, conseguiu se manter até bem recentemente em diversas regiões brasileiras.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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