A História de Pigmalião e a Escultura


Ao ver soberbo monte de granito, o escultor não resistiu à tentação de esculpi-lo de imediato.
— Preciso imaginar uma imagem digna desse monte — dizia o artista. Meu cinzel deverá transformá-lo em algo divino, que não desmereça a obra de Deus ao fazer tão bela paisagem. Creio mesmo que o indicado será esculpir um deus. Sim! Dedicarei esta magnífica pedra à imagem de uma divindade que na mão direita deverá brandir uma lua, e na esquerda um sol. Tremei, pobres mortais, e começai desde já as súplicas ao poderoso deus. Ele será o senhor do universo!
O artista trabalhou com tanta inspiração na estátua divina que todos que a viam eram unânimes em considerar perfeita a obra, só mesmo faltando-lhe o dom da palavra. Até o próprio escultor, ao terminar sua obra-prima, tremeu ao vê-la! Nunca tivera imagem mais imponente em todo o mundo.
O que aconteceu com esse escultor era comum na antiguidade, entre poetas e homens de gênio. Passavam a temer a cólera das divindades criadas por eles próprios. Nisto, muito se assemelhavam às crianças, que se preocupam constantemente com medo de irritar ou desgostar suas bonecas de brinquedo. Os sentimentos são levados com facilidade pela imaginação. Daí é que foi gerado o paganismo, que agora grassa no mundo inteiro. As quimeras tem o poder de nos seduzirem: Pigmalião, por exemplo, tornou-se amante fervoroso da imagem que ele próprio brunira.
Os homens convertem seus sonhos em realidade, até a medida do impossível. Sua alma é forjada em gelo para aceitar as verdades, e é crepitante como o fogo para com as mentiras.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Muito bom! Gostei muito do seu texto. Continue escrevendo bem assim. Abraços do Pedro Melo.

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