O Pintor dos Anjos.


Muitos, dentre os grandes artistas italianos, pintaram criaturas angelicais, mas somente Guido Reni passou à história com o título de "Pintor dos Anjos". Isto aconteceu, talvez, porque ninguém quanto ele soube infundir nas figuras divinas um sopro de tão pura suavidade e doçura. Mas, muito mais que a perícia do artista, tal fato se deve, certamente, à instintiva e doce pureza do caráter e do sentimento do pintor bolonhês; dotes estes que, tendo-se nele manifestado desde a infância jamais se desmentiram durante sua afortunada e por vezes infeliz existência.
Guido Reni nasceu em 7 de novembro de 1575, em Calvenzano, nos arredores da cidade de Bolonha. Seu pai era músico, e gostaria que Guido seguisse a profissão, mas o menino parecia amar bastante as artes plásticas, desenhando e modelando com notável garbo e com precoce intuição.
Aos vinte e três anos já era membro do Conselho da Congregação dos Pintores. Mudou-se para Roma e foi recebido com toda honra merecida; hospedado no palácio do cardeal Cipião Borghese, homem riquíssimo e apaixonado pela arte. Assim, a vida do jovem pintor bolonhês pôde se desenvolver em um ritmo espontâneo e crescente.


Sua fama já era tão grande que lhe chegavam encomendas de toda a parte. Era época de pura arte e sucesso estrepitosos. Reni tinha alunos de todos os países; belas damas e famosos cavaleiros disputavam-lhe os retratos.
Infelizmente, depois de um longo sucesso, o vício no jogo que jamais soube libertar-se, fez com que o pintor se cobrisse de dívidas, vendo seu trabalho e saúde declinarem rapidamente. Triste velhice! Minado por desgraça, morreu em 18 de agosto de 1642, encorajando os discípulos a perseverarem na estrada da arte.
Assim, desaparecia o mestre cuja pintura foi homenagem suave e pura à meiguice dos sentimentos. Restava, sobretudo "A Aurora", o quadro onde está magistralmente representado o cotidiano milagre do dia e da luz, milagre eterno, como talvez eterna será, nos séculos, a glória de Guido Reni, "O Pintor dos Anjos".

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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