O Mundo das Ilusões.


Uma jovem - a quem daremos o nome de Maria - caminhava a passos largos, muito feliz da vida, levando à cabeça um jarro com leite. Ia despreocupada, pensando chegar sem nenhum contratempo à cidade. Para que mais depressa pudesse caminhar tinha até tomado a precaução de calçar leves sandálias e vestir vestido simples e caseiro. Aproveitando-se do sítio em que se encontrava, dava largas à imaginação, pensando o que faria com o dinheiro apurado com a venda do leite que levava.
"O melhor mesmo - pensava ela - é transformar todo o dinheiro em ovos, na granja vizinha, e daí seria um pulinho até que tivesse no terreiro muitos pintinhos. Será muito fácil criá-los, já que disponho de grande espaço em torno de minha casa - falava ela para si mesma. Por mais voraz que seja a raposa, não conseguirá destruir toda minha criação e ainda me sobrarão muitos frangos para levar à feira. Vando-os e, com o dinheiro ganho, posso muito bem comprar um leitãozinho, já bem crescido. Deixo-o ficar por uns tempos mais no chiqueiro, até tomar razoável tamanho, quando valerá bom dinheiro. E, daí, quem me impedirá que com esse dinheiro eu adquira uma vaca com seu bezerrinho, e ponha-os no curral? Ninguém, é certo. Que bom será ver o bezerrinho crescer e engordar no meio do rebanho..."
Ao dizer isto, Maria já ia tão embevecida nos seus sonhos que não percebeu uma pedra no caminho. Cai o jarro, espatifa-se no chão, que fica momentaneamente branco com o leite derramado. Estavam desfeitos os planos da jovem! Adeus bela vaquinha, adeus bezerro! Adeus também pintinhos e gordo leitãozinho! Como fumaça, perdia-se no ar toda a fortuna de Maria, que ao chegar em casa, ainda teve que arranjar  boa desculpa para seu descuido, pois sua mãe contava certo com o dinheiro da venda do leite. Ao invés de riquezas, quase recebeu enraivecida surra.


Quem poderá dizer que nunca teve ilusões? Quem também nunca se deu às construções de castelos no ar? Nunca existiu tal pessoa. Todos, desde o mais poderoso monarca até a mais pobre camponesa, desde os mais sábios aos loucos. Mesmo de olhos abertos nos pomos à ilusão, e temos que reconhecer que não há nada mais agradável!
Nessas ocasiões, todo um mundo de fantasia se apodera de nosso espírito, mas basta uma insignificante mosca pousar na testa e adeus mundo de imaginação. O iludido volta a ser ninguém!

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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