O lado aventureiro da vida.


Engana-se quem pensar que o caminho da glória está calçado de flores. Em favor dessa afirmativa invoco o testemunho de Hércules e seus trabalhos. Nas fábulas e histórias mitológicas são raros os rivais desse deus. Entretanto vou citar um a quem velhos talismãs induziram a tentar fortuna no país dos contos.
Ia ele viajando com um companheiro e em meio caminho encontraram um aviso preso a um poste: "Senhor aventureiro, se tuas vistas anseiam por ver o que nunca a nenhum mortal foi permitido vislumbrar, cruze esta correnteza. Depois disso feito, verás um elefante de pedra estendido no chão, toma-o nos braços e leva-o de uma só vez ao cume daquela montanha que vês do outro lado, tão alta que ousa ameaçar os céus com sua soberba imponência."
Um dos viajantes se amedrontou.


– A correnteza aqui é muito rápida e a água parece profunda – disse ao companheiro. Mas supondo que consigamos chegar do outro lado, que diabos faríamos com um elefante nos braços? Para que levá-lo para o alto da montanha? Seria quando muito uma façanha ridícula e é carga tão pesada que a suportaríamos no máximo por três ou quatro passos e teríamos de descansar. Agora, o aviso diz que terá de ser levado de uma só vez! Quem suportará carregar numa corrida um elefante? E com toda certeza não será um elefantinho pequenino, que seja tão leve que possa ser levado por um ou dois homens. Se fosse assim, que merecimento teria a aventura? Este negócio não me está parecendo bem. Isso será algum enigma para enganar incautos e crianças. Por mim, eu te aviso, companheiro: vou-me embora e te deixarei com o elefante. 
Disso isso, correu. O outro, mais aventureiro, fecha os olhos e atira-se sem medo na torrente. Nem a profundidade nem a impetuosidade das águas batendo nas pedras foram capazes de impedir-lhe o avanço na direção almejada. Chegou à outra margem e logo avistou o elefante estendido no chão, tal e qual estava escrito no aviso. Pegou o animal, correu na direção da montanha, galgou-a e uma vez em cima encontrou-se numa soberba alameda, que terminava em imponente cidade. Foi nesse instante que o elefante deu um grito e a cidade pôs-se em movimento, tomando armas.


Qualquer outra pessoa que assistisse aquela cena teria fugido, mas isso não foi o que fez o aventureiro. Valente como era, longe de pôr-se em covarde retirada, resolveu que a morrer seria preferível fazê-lo como herói. Preparou-se para vender caro sua vida e foi quando teve a grande surpresa: o povo o proclamava rei, no lugar do que falecera.
O aventureiro não esperou que o proclamasse pela segunda vez, embora ser rei lhe parecesse carga um tanto pesada. Mas xisto V pensou o mesmo quando foi feito papa, como se o fato de ser rei o papa fosse de pouca importância, e logo depois deu a conhecer pequeno grau de boa-fé com que se houvera.
A fortuna é cega e corre atrás da audácia. Bem faz o sábio em dar a conhecer seus atos antes de ter tempo para pensar na sensatez do que vai fazer.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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2 comentários:

  1. Muito bom!!! Adorei " Bem faz o sábio em dar a conhecer seus atos antes de ter tempo para pensar a sensatez do que vai fazer." Ótimo!!
    É você quem escreve?
    Eu escrevo , amo escrever, criei um blog a pouco tempo, se quiser dê uma passadinha lá! Obrigado!
    https://confyv.wordpress.com/

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    1. Muito obrigado Vanessa, fico muito feliz por ter gostado! Sim, eu escrevo, e quando não, sempre ponho a fonte! Também gostei muito do seu blog! Parabéns...

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