O Império dos Faraós.


Há milhares e milhares de anos, nas trevas invioláveis da cripta cavada sob a ardente pedreira do Vale dos Reis, dormia o Faraó. Ao seu redor jaziam amontoados cofres de marfim, cadeiras entalhadas, jóias e vasos de alabastro, todo o enxoval de uma alma que aprestava para a grande viagem de além-túmulo; um ramo de flores secas junto à porta murada, recordava o último adeus dos vivos ao falecido soberano.
Até que um dia, surdas pancadas de picareta perturbaram o silêncio secular, uma luz ofuscante penetrou improvisadamente no recinto, refulgindo sobre o ouro. Diante dos olhos estupefatos dos intrusos, as pinturas, a tapeçaria, os papiros narraram a grandeza do antigo Egito. A descoberta do túmulo de Tutancâmon em 1922 trouxe novamente o mistério de um mundo desaparecido.


De todas as civilizações, os monumentos mais duradouros são os do antigo Egito, as imponentes colunas de Luxor, restos do santuário de Amom, as muralhas fortificadas de Tell-el-Amarna, as criptas do Vale dos Reis, as Pirâmides - os túmulos mais faustosos que o homem já construiu - são hoje, os únicos testemunhos que restam daquela grande imponência de vida, de arte e sabedoria que foi o império dos Faraós.
Porém, naquele tempo - há mais de três mil anos - o Nilo corria em regiões verdíssimas possibilitando o desenvolvimento de grandes cidades em meio aos seus magníficos diques e canais. Hoje, a areia estendeu suas dunas sobre as ruas e palácio, onde outrora brilhavam as couraças dos guerreiros ou ressoava o estrepitar das bigas. Como em tudo nesse mundo, a grandeza do Egito teve fim. Dela resta, somente, humilde e eterno protagonista, o homem.

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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