A Lenda de Aracne



Aracne, uma linda jovem e habilíssima bordadeira, que vivia em Atenas, aprendera de maneira tão perfeita com a deusa Minerva a arte de bordar que, um dia, orgulhosamente, ousou desafiar a própria, propondo-lhe competir com um trabalho de agulha.
Fixado o tema da competição, o tempo em que deveria desenvolver-se e escolhidos os juízes que dariam a vitória quem merecesse, Aracne atirou-se à obra. De suas mãos floresceu um estupendo tecido, em que estavam maravilhosamente representandos os amores dos deuses. No final, os juízes se manifestaram nestes termos: "Obra magnífica, de mulher mortal". Mas o bordado de Minerva, que às filhas de Pandora ensinara a arte de representar, por meio de tapeçaria, as proezas dos heróis, foi proclamado: "Trabalho divino".
Aracne vencida, retirou-se presa no mais negro desespero. Sobrepujada pela mágoa, resolveu não sobreviver à derrota e envolveu o pescoço num laço bem apertado. Mas no momento em que seu corpo estava prestes a balançar no vácuo, Minerva, a deusa vencedora, transformou a moça em aranha. Aracne caiu e se envolveu a si mesma, com as frágeis patinhas, nas malhas da tela que ela mesma tecera. Assim, velada pelas sombras obscuras da lenda, que lhe exalta e diviniza a beleza, aparece a história do bordado. 

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Sobre Filipe Penasso

Autor e resenhista do Pena Pensante, 22 anos, acadêmico de Relações Internacionais e Comissário de Voo por formação.
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